Política monetária

Itaú (ITUB4) vê fim de corte na Selic e projeta alta para 10,50%

Segundo a equipe do banco, os últimos números de atividade econômica continuam mostrando resiliência

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O Itaú (ITUB4) não vê mais espaço para o BC (Banco Central) cortar os juros na reunião de política monetária em junho, devido à piora nas estimativas para inflação. O banco revisou a projeção da Selic (taxa básica de juros) de 10,25% para 10,50%, para 2024 e 2025.

“A taxa de câmbio voltou para as máximas do ano, descolada de seus pares. Nossa medida ampla de risco-país, calculada com base em preços de ativos e seu desempenho relativo voltou a subir depois de ter alcançado as mínimas pós pandemia no início do ano”, disse a equipe de pesquisa econômica do banco.

“É razoável afirmar que as incertezas domésticas citadas nas comunicações mais recentes do comitê se mantiveram em patamar elevado, ou mesmo aumentaram”, afirma o Itaú, de acordo com o “Valor”.

De acordo com os membros da instituição, os últimos números de atividade econômica continuam mostrando resiliência, com foco no comportamento do mercado de trabalho.

“Na pesquisa PNAD, o desemprego recuou para 7,2% na medida com ajuste sazonal para o trimestre findo em abril (se afastando ainda mais da nossa estimativa de 9% para a taxa neutra), com aceleração de salários na margem, enquanto o Caged registrou mais um número forte de novos empregos formais (199 mil com ajuste sazonal, ante ritmo “neutro” de aproximadamente 60 mil)”, comentaram. 

“O PIB do 1º trimestre também foi divulgado recentemente, com resultado um pouco mais forte que o esperado (0,8%, ante 0,7%), com consumo resiliente e recuperação do investimento”, continuou a equipe.

Itáu (ITUB4) acredita que últimos números benenignos da inflação foram compesados pela alta das projeções

Observando a inflação, as últimas leituras exibiram composição benigna, porém isso foi mais do que compensado pela elevação das estimativas de inflação reportadas pelo Boletim Focus, segundo o Itáu.

De acordo com a equipe liderada por Mário Mesquita, economista-chefe, o mercado aumentou as medianas das projeções, saindo de 3,64% a 3,77% para 2025, além de 3,50% a 3,60% para 2026.

“Com essas condições, mesmo com um câmbio eventualmente mais comportado do que os valores recentes, entendemos que não há mais espaço para cortes adicionais de juros. Portanto, revisamos nossas projeções para a taxa Selic, de 10,25% a.a. para 10,50%, ao final de 2024 e 2025”, concluem.