
O fluxo cambial do Brasil ficou negativo em US$ 8,410 bilhões em dezembro, até a última sexta-feira (26), segundo dados preliminares divulgados nesta sexta-feira (2) pelo Banco Central (BC). Em novembro, o saldo já havia sido negativo, com saída líquida de US$ 7,071 bilhões.
O resultado de dezembro reflete, principalmente, a forte saída de recursos pelo canal financeiro, que superou o desempenho positivo do comércio exterior no período.
Canal financeiro concentra saída de dólares
De acordo com o BC, o canal financeiro registrou saída líquida de US$ 15,047 bilhões no mês, até o dia 26. O número é resultado de compras de US$ 61,796 bilhões e vendas de US$ 76,843 bilhões.
Esse segmento reúne operações como investimento estrangeiro direto, investimentos em carteira, remessas de lucro, pagamento de juros e outras movimentações financeiras entre residentes e não residentes.
Comércio exterior tem saldo positivo
No mesmo intervalo, o canal comercial apresentou saldo positivo de US$ 6,637 bilhões. As exportações somaram US$ 25,060 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 18,423 bilhões.
Do total exportado, US$ 2,309 bilhões vieram de adiantamento de contrato de câmbio (ACC), US$ 5,974 bilhões de pagamento antecipado (PA) e US$ 16,777 bilhões de outras entradas.
Semana também teve fluxo negativo
Na semana de 22 a 26 de dezembro, o fluxo cambial brasileiro também ficou no vermelho, com saída líquida de US$ 5,047 bilhões, segundo o Banco Central.
Nesse período, o canal financeiro concentrou uma saída de US$ 5,816 bilhões, resultado de compras de US$ 13,597 bilhões e vendas de US$ 19,413 bilhões.
Já o canal comercial registrou entrada líquida de US$ 770 milhões na semana.
Detalhamento do canal comercial na semana
Entre 22 e 26 de dezembro, as importações somaram US$ 4,154 bilhões, enquanto as exportações atingiram US$ 4,923 bilhões.
Nas exportações, o BC informou a inclusão de US$ 351 milhões em ACC, US$ 1,753 bilhão em pagamento antecipado e US$ 2,820 bilhões em outras entradas.
O comportamento do fluxo cambial reforça a pressão vinda do canal financeiro no fim de 2025, mesmo com o desempenho positivo do comércio exterior, e segue no radar do mercado no início de 2026.