Veja o resumo da noticia

  • Governo Federal encerra 2025 com déficit primário de R$ 10 bilhões, cumprindo a meta fiscal estabelecida com tolerância definida.
  • Banco Central, responsável pela apuração da meta, utilizou metodologia específica considerando despesas excluídas do cálculo.
  • Déficit primário total de R$ 58,687 bilhões foi reduzido após dedução de R$ 48,683 bilhões em gastos fora da meta.
  • Divergência nos números do Tesouro Nacional (déficit de R$ 13,008 bilhões) decorre de diferentes metodologias de cálculo.
  • Legislação do arcabouço fiscal define que o cumprimento da meta é aferido com base nas estatísticas do Banco Central.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O governo federal encerrou 2025 com déficit primário de R$ 10 bilhões, após considerar as despesas excluídas da apuração da meta fiscal. Dessa forma, o Executivo cumpriu o objetivo de déficit zero, que admite tolerância de até R$ 31,7 bilhões para mais ou para menos, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Banco Central.

O resultado oficial considera a metodologia prevista no arcabouço fiscal, que define o Banco Central como responsável pela apuração do cumprimento da meta.

Como o déficit foi calculado

Para chegar a esse resultado, o Banco Central partiu de um déficit primário total de R$ 58,687 bilhões registrado no ano passado. Em seguida, descontou R$ 48,683 bilhões em gastos fora da meta, conforme informações divulgadas pelo Tesouro Nacional. Assim, o saldo final permaneceu dentro do intervalo permitido pelo arcabouço fiscal.

Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, a diferença em relação aos números divulgados pelo Tesouro decorre da metodologia utilizada.

Diferença em relação aos números do Tesouro

Na véspera, o Tesouro Nacional havia divulgado um déficit primário total de R$ 61,691 bilhões em 2025. Após as deduções, o órgão chegou a um déficit de R$ 13,008 bilhões, também dentro da margem permitida.

De acordo com Rocha, a divergência ocorre por diferenças metodológicas entre os dois órgãos.

“Se partimos de um déficit menor, de R$ 58,7 bilhões, em vez de R$ 61,7 bilhões, o resultado final cai para R$ 10 bilhões e segue dentro do intervalo da meta”, explicou.

Banco Central define o cumprimento da meta

Apesar das diferenças nos cálculos, a legislação do arcabouço fiscal é clara: o cumprimento da meta é aferido com base nas estatísticas do Banco Central, e não nas do Tesouro.

Rocha destacou ainda que o BC não calcula o volume das exceções, mas apenas consolida o resultado fiscal agregado.

Assim, para efeitos legais e de credibilidade fiscal, o resultado válido é o déficit de R$ 10 bilhões.