Veja o resumo da noticia

  • Guilherme Mello comenta a possível indicação para diretoria do Banco Central e sua disponibilidade para o governo federal.
  • Mello aguarda convite formal para comentar sobre o BC, mas reconhece a existência de espaço para corte da Selic.
  • SPE incorpora dados de mercado e Copom nas projeções, evitando opinar diretamente sobre a taxa Selic.
  • Estabilização da dívida pública influenciada pela política monetária e juros, além da política fiscal.
  • Custo elevado da dívida impacta endividamento, exigindo crescimento sustentado para estabilizar a dívida bruta.
  • Dívida bruta encerra 2023 em 78,7% do PIB, com despesas de juros atingindo a marca de R$ 1 trilhão.
  • Nomeação de Mello depende de trâmites no Senado; ligação com o PT causa cautela e reflexos no mercado.
 Foto: Câmara dos Deputados
Foto: Câmara dos Deputados

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, afirmou nesta sexta-feira (6) que se sente lisonjeado com a possível indicação para a diretoria do Banco Central. Além disso, disse estar à disposição para as tarefas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerar necessárias. Mello é cotado para a diretoria de Política Econômica da autarquia.

Indicação ainda não foi formalizada

Em entrevista coletiva, Mello afirmou que ainda não recebeu convite formal. Por isso, evitou comentários mais amplos sobre a possível ida ao BC. Mesmo assim, ele reconheceu que existe espaço para corte da Selic. No entanto, reforçou que o Copom define o ritmo da política de juros.

Selic, Copom e a leitura do mercado

Mello disse que, no passado, classificou os juros como elevados com base em dados. Além disso, afirmou que esse diagnóstico também aparecia em avaliações de mercado. Segundo ele, a SPE não “opina” sobre a Selic. Assim, quando precisa usar uma taxa em projeções, a secretaria incorpora a precificação do mercado e os sinais do Copom.

O Banco Central mantém a Selic em 15% ao ano e indicou que pode iniciar um ciclo de cortes em março, dependendo do cenário.

“Dívida não é só fiscal”: juros entram no centro do debate

Na entrevista, Mello afirmou que a estabilização da dívida pública não depende apenas do fiscal. Segundo ele, a trajetória também responde à política monetária e à curva de juros. Portanto, mudanças na Selic alteram a projeção da dívida com rapidez.

O Boletim da SPE apontou que o custo do serviço da dívida, em um ambiente de Selic alta, ajudou a explicar o aumento do endividamento recente. Além disso, o documento defendeu que, com custo financeiro elevado, o crescimento sustentado ganha peso na estabilização da dívida bruta.

Dívida bruta e conta de juros em 2025

A dívida bruta fechou 2025 em 78,7% do PIB, alta de 2,4 pontos percentuais em um ano. Ao mesmo tempo, as despesas com juros atingiram R$ 1 trilhão, segundo o relatório citado pela SPE.

Trâmite e reação do mercado

A Reuters informou que Lula se encaminha para confirmar o nome de Mello para a diretoria de Política Econômica. Ainda assim, a eventual nomeação precisa seguir os trâmites e passar pelo Senado.

Mello é professor da Unicamp e participou do plano econômico de Lula em 2022. Por isso, sua ligação com o PT gerou cautela no mercado em momentos anteriores, com reflexo em juros longos.