O patamar atual de produção da indústria brasileira está 15,7% abaixo de seu nível mais alto, registrado há quase 14 anos, em maio de 2011, segundo a PIM-PF (Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, a distância em relação a esse pico de produção reflete o custo Brasil e a perda de importância do setor industrial na economia.
“Todo esse distanciamento do setor industrial, tanto da indústria geral quanto de seus segmentos, guarda relação com uma série de problemas enfrentados ao longo dos últimos anos, como o custo Brasil e a perda de relevância no contexto econômico”, disse Macedo, de acordo com o Valor.
“Há fatores conjunturais e macroeconômicos que ajudam a entender por que a indústria está muito abaixo do nível que já vivenciou no passado”, acrescentou.
O custo Brasil representa o valor adicional que o setor produtivo gasta para operar no país em comparação à média global, devido a fatores como carga tributária elevada, insegurança jurídica, dificuldades de financiamento e infraestrutura precária.
No ano passado, a indústria representava 24,7% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, segundo as Contas Nacionais do IBGE. Esse percentual era de 27,2% em 2011, ano do pico de produção industrial.
Indústria recua 0,1% em fevereiro, abaixo das expectativas
A produção industrial do Brasil teve leve recuo de 0,1% em fevereiro. O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (02) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A marca veio abaixo das expectativas de analistas, mas apresentou crescimento em relação a 2024, com crescimento de 1,5%.
O acumulado do ano ficou em 1,4% enquanto os últimos 12 meses atingiu 2,6%. O segmento de carros e bens de capital puxaram o crescimento do acumulado de ano. As indústrias farmacêuticas e extrativas enfrentaram desafios pontuais em fevereiro, interrompendo dois meses de crescimento do setor.
A média móvel trimestral variou -0,1% encerrado em fevereiro, mantendo a tendência negativa de meses anteriores. Bens de consumo variáveis e bens intermediários foram os mais desvalorizados com diminuição de -08% e -0,1%, respectivamente.