Veja o resumo da noticia

  • Payroll dos EUA surpreende com 130 mil vagas, impactando expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve.
  • Taxa de desemprego recua para 4,3%, indicando resiliência do mercado de trabalho americano frente às projeções iniciais.
  • Reação do mercado: aumento nos rendimentos dos títulos do Tesouro, fortalecimento do dólar e alta nos mercados acionários.
  • Revisão negativa de 898 mil vagas entre março de 2024 e 2025, alinhada com as expectativas do mercado financeiro.
  • Setor de saúde impulsiona a criação de empregos, atenuando o impacto de condições climáticas adversas em janeiro.
  • Payroll forte reduz apostas de cortes de juros no curto prazo, adiando afrouxamento monetário para junho ou semestre seguinte.
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Payroll / Foto: Freepik

O resultado do payroll, com a criação de 130 mil vagas de trabalho nos Estados Unidos, surpreendeu positivamente o mercado e pode impactar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve (Fed), segundo avaliação de William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

O número veio bem acima das projeções, que giravam entre 50 mil e 60 mil vagas, patamar considerado pelo mercado como o “novo normal” após 2025, ano em que a média mensal de criação de empregos ficou próxima de 50 mil postos.

Ainda assim, a taxa de desemprego recuou de 4,4% para 4,3%, indicando resiliência do mercado de trabalho.

“Low hire, low fire”

Para o economista, o cenário anterior apontava para um mercado estabilizado dentro de uma lógica de “low hire, low fire”, com crescimento moderado do emprego, salários em alta e desemprego estável. A surpresa do payroll, no entanto, mudou a percepção dos investidores.

“O dado acabou catapultando os yields dos títulos do Tesouro americano”, afirmou William. Após a divulgação, os rendimentos dos Treasuries subiram, com o papel de 2 anos em 3,52%, o de 5 anos em 3,76% e o de 10 anos atingindo 4,20%.

O dólar também se fortaleceu, enquanto os mercados acionários reagiram positivamente.

O relatório também mostrou uma revisão negativa de 898 mil vagas no período entre março de 2024 e março de 2025, número que veio em linha — ou ligeiramente melhor — do que o esperado pelo mercado, que projetava uma revisão próxima de 900 mil postos.

Entre os destaques setoriais, o economista aponta o segmento de saúde como principal motor da criação de empregos, fator que ajudou a sustentar o resultado mesmo em um mês marcado por condições climáticas adversas, como nevascas em janeiro.

Segundo Castro Alves, o impacto inicial do payroll mais forte tende a ser positivo para ativos de risco, mas traz uma consequência direta para a política monetária.

“Esse dado reduz as apostas de cortes de juros no curto prazo e pode empurrar o início do afrouxamento monetário para junho ou até para o segundo semestre”, avaliou.