Dados de inflação

PCE dos EUA: especialistas divergem sobre corte de juros

O núcleo do PCE, que exclui preços de alimentos e energia, subiu 0,2%, abaixo das expectativas; índice cheio cresceu 0,3%

Fed
Foto: Divulgação

O núcleo do PCE (índice de preços de gastos com consumo) dos EUA avançou 0,2% no mês de abril, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (31) pelo Departamento de Comércio americano. Com isso, em 12 meses, o avanço foi de 2,8%.

O resultado ficou abaixo da projeção de analistas, que esperavam um crescimento mensal de 0,3% e anual de 2,8%.

O núcleo do PCE é a medida de inflação preferida do Fed (Federal Reserve) e exclui variações de preços de alimentos e energia, considerados mais voláteis.

O índice cheio, que inclui essas categorias de preços, ficou em 0,3% na comparação mensal e em 2,7% na anual, em linha com as projeções de avanço de 0,3% mês a mês e de 2,7% ano a ano.

Na avaliação do economista-chefe do banco Master, Paulo Gala, o resultado, junto aos dados do livro bege e à revisão do PIB dos EUA no primeiro trimestre do ano, aumenta as chances de corte de juros em setembro.

“O resultado do PCE é mais uma boa notícia para a inflação e recoloca as chances de corte de juros em setembro. Na quarta-feira, tivemos o livro bege, que ressalta as preocupações dos diretores do Fed de pressões inflacionárias, por outro lado, mostra alguma fraqueza em atividade econômica para os EUA. Essa sequência, mais um PIB mais fraco, aumenta a chance de corte mais cedo e, portanto, acalma o mercado”, disse Paulo Gala.

Para Andressa Durão, economista da ASA Investments, apesar de o PCE de abril evidenciar uma desaceleração frente aos números do primeiro trimestre do ano, é insuficiente para que o Fed dê início aos cortes na taxa de juros.

“É uma taxa que ainda consideramos elevada. O Fed quer ver números ao redor de 0,20% nas próximas divulgações para garantir confiança na desaceleração da inflação. No nosso cenário, a inflação continuará rodando em taxas elevadas”, pontuou Durão.

Beto Saadia, economista e diretor de investimentos da Nomos, avalia que a propabilidade de início de corte nos juros americanos continua para o mês de novembro.

Ainda de acordo com Saadia, cenário indica um “bom timing”, já que se sincroniza com a Europa e com o resto do mundo num ciclo global de queda de juros.

“O que estamos vendo é que outros indicadores que saíram ao longo do mês de maio corroboram que em algum momento o PCE vai retomar a trajetória de desinflação observada ano passado. A partir do momento, também, que se dissipam os reajustes de início de ano que também contaminaram o primeiro trimestre do ano anterior”, destacou Beto.

Fed: política monetária está bem posicionada para reduzir inflação

O presidente do Fed (Federal Reserve) de Nova York, John Williams, disse, nesta quinta-feira (30), que o atual cenário da política monetária é o correto para ajudar a inflação a voltar para 2%. Williams, porém, não deu nenhuma pista de quando ele acha que o BC poderá reduzir o custo dos empréstimos de curto prazo.

“O comportamento da economia no último ano fornece ampla evidência de que a política monetária é restritiva de uma forma que nos ajuda a atingir nossas metas […] Considero que a postura atual da política monetária está bem posicionada para dar continuidade ao progresso que fizemos para atingir nossos objetivos”, disse Williams.

Ele acrescentou que as autoridades do Fed “continuarão atentas à totalidade dos dados, para que tomemos decisões que garantam que a inflação volte de forma sustentável para 2%, mantendo um mercado de trabalho forte”.

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