Veja o resumo da noticia

  • Ameaças de Trump ao Irã impulsionam alta nos preços do petróleo devido a preocupações com o fornecimento global e tensões geopolíticas.
  • Petrobras registra valorização de suas ações, influenciando positivamente o Ibovespa, enquanto Goldman Sachs eleva recomendação para PRIO.
  • JPMorgan avalia que o prêmio geopolítico no petróleo é limitado, apesar das tensões envolvendo Irã e Venezuela no mercado global.
  • Interrupções na oferta de petróleo, como no Cazaquistão, e a desaceleração nos estoques globais, sustentam os preços no mercado.
  • Analistas do JPMorgan indicam que uma alta sustentada nos preços é improvável devido à demanda sazonal fraca e excedente no mercado.
  • Perspectiva de curto prazo aponta para lateralização do mercado, com riscos geopolíticos oferecendo suporte aos preços do petróleo.
Donald Trump, presidente dos EUA, durante uma coletiva de imprensa (Foto: reprodução/White House)
Donald Trump, presidente dos EUA, durante uma coletiva de imprensa (Foto: reprodução/White House)

Os preços do petróleo voltaram a subir nesta sexta-feira (23). Um dia antes, o presidente Donald Trump ameaçou mais uma vez o Irã.

Segundo Trump, os Estados Unidos têm uma “armada” seguindo em direção ao país do Oriente Médio. Consequentemente, o mercado reagiu com preocupações sobre o fornecimento de petróleo bruto.

Desde a escalada dos protestos no Irã, Trump vem ameaçando intervir no país. De acordo com declaração do presidente a bordo do Air Force One, o governo mobilizou navios de guerra.

Além disso, Trump reforçou a pressão sobre Teerã e seu programa nuclear. Portanto, as tensões geopolíticas voltaram ao centro das atenções do mercado energético.

Preços revertem queda anterior

Em resposta à declaração, os preços do petróleo começaram a manhã em alta. Na quinta-feira, haviam caído cerca de 2% na sessão.

Dessa forma, o movimento reflete a preocupação do mercado de energia. Atualmente, o Irã produz mais de 3 milhões de barris de petróleo por dia.

Portanto, o país é um importante ator no mercado global. Consequentemente, qualquer ameaça ao seu fornecimento impacta os preços internacionais.

Brent sobe 1,8% na sessão

Os contratos futuros do Brent subiram 1,8% nesta sexta-feira. A referência internacional com vencimento em março atingiu US$ 65,20 por barril.

Além disso, a cotação foi registrada por volta das 10h04 no horário de Brasília. Portanto, o movimento confirma o impacto imediato das declarações de Trump.

Petrobras dispara na B3

Aqui no Brasil, as ações da Petrobras abriram a sessão em alta. PETR3 iniciou a R$ 36,28 e PETR4 a R$ 33,58.

Por volta das 13h15, PETR3 havia subido 3,03%, a R$ 37,38. Enquanto isso, PETR4 avançou 3,37%, sendo negociada a R$ 34,71.

Consequentemente, os papéis ajudaram a impulsionar o Ibovespa. Dessa forma, a bolsa brasileira teve mais uma sessão de ganhos, na contramão do exterior.

Goldman eleva PRIO para compra

O Goldman Sachs também movimentou o setor nesta sexta-feira. O banco elevou a recomendação de PRIO3 de neutro para compra.

Além disso, estabeleceu preço-alvo de R$ 58,45 para as ações. As ações da petroleira subiam 4,74% no início da tarde, a R$ 48,44.

Segundo os analistas, a expectativa é de forte crescimento orgânico da produção. Ademais, há maior visibilidade para dividendos futuros.

Prêmio geopolítico limitado

Para o JPMorgan, apesar das tensões, o prêmio geopolítico no petróleo é limitado. Os analistas referem-se tanto às declarações sobre o Irã quanto à Venezuela.

De acordo com o banco, a perspectiva de ação imediata dos EUA perdeu força. Entretanto, ambos os países mostram-se dispostos à diplomacia atualmente.

Venezuela diminui volatilidade

O mesmo vale para a Venezuela no mercado de petróleo. O país tem diminuído a volatilidade à medida que as exportações se aceleram.

Segundo os analistas, o prêmio cedeu ainda mais recentemente. O presidente Volodimir Zelenskyy anunciou a primeira reunião trilateral nos Emirados Árabes Unidos.

Interrupções sustentam preços

Mesmo com diminuição de riscos geopolíticos, o JPMorgan vê suporte nos preços. As interrupções de oferta em janeiro forneceram base suficiente para manter valores acima do justo.

Questões como a interrupção na produção do Cazaquistão tiveram forte impacto. Além disso, problemas nos fluxos do oleoduto CPC (majoritariamente petróleo cazaque) pressionaram o mercado.

Estoques globais desaceleram

A desaceleração no ritmo de aumento dos estoques globais também impulsionou os preços. Eles caíram para 0,7 mbd nas últimas duas semanas.

Anteriormente, nas quatro semanas anteriores, marcavam 1,7 mbd. Portanto, a redução no acúmulo de estoques fortaleceu as cotações.

Alta sustentada improvável

“Esses fatores, entretanto, não são suficientes para impulsionar uma alta sustentada”, afirma o JPMorgan. Em parte pela demanda sazonal fraca atualmente.

Além disso, o excedente mais amplo do mercado limita ganhos. Dessa forma, os preços não devem cair muito no curto prazo.

Entretanto, também não devem subir com tanta força no futuro. Consequentemente, o potencial de valorização permanece limitado segundo os analistas.