Veja o resumo da noticia
- Rebaixamento da Raízen por agências de risco, como S&P Global e Fitch, devido a preocupações com a sua estrutura de capital.
- Contratação de consultores financeiros indica possível reestruturação da dívida e vendas de ativos ainda não concretizadas.
- Resultados fracos no setor de Açúcar e Etanol contrastam com a melhora na distribuição de combustíveis da empresa.
- Projeções da S&P apontam para alta alavancagem e pressão contínua no preço do açúcar, impactando negativamente o EBITDA.
- Analistas da S&P alertam para o consumo contínuo de caixa, exigindo captações ou vendas urgentes para evitar problemas.
- Fitch critica a falta de injeção de capital pelos acionistas e projeta alta alavancagem, limitando a flexibilidade financeira.
- Vencimento de dívidas de curto prazo e altas despesas com juros pressionam o fluxo de caixa livre da Raízen até 2027.

A Raízen enfrenta turbulência no mercado financeiro. Duas grandes agências rebaixaram a classificação de crédito da empresa. A S&P Global cortou o rating para ‘CCC+’. Além disso, colocou a companhia em CreditWatch Negativo nesta segunda-feira (9).
A Fitch Ratings rebaixou os ratings de longo prazo da Raízen. A nota caiu de ‘BBB-‘ para ‘B’. Consequentemente, a empresa mantém Rating Watch Negativo. Portanto, novas quedas podem acontecer em breve.
Sinais de reestruturação
A Raízen contratou consultores financeiros recentemente. Dessa forma, sinaliza possível reestruturação da dívida. A S&P vê “alta probabilidade” desse movimento. Enquanto isso, a capitalização da empresa enfraquece progressivamente.
A administração prometeu vendas de ativos anteriormente. Contudo, esses planos ainda não se concretizaram. Segundo a S&P, novos anúncios virão em breve. Além disso, a gestão enfrenta desafios para executar esses planos.
O terceiro trimestre fiscal trouxe resultados fracos. O negócio de Açúcar e Etanol decepciona o mercado. Por outro lado, a distribuição de combustíveis mostra melhora. Portanto, volumes e margens crescem nessa divisão.
Projeções preocupantes
A S&P prevê EBITDA de R$ 11 bilhões para 2026. Consequentemente, a alavancagem deve ficar entre 5,0x e 5,5x. Para 2027, a pressão continua no açúcar. Assim, contratos futuros negociam a 14-15 centavos por libra.
Os preços deprimidos do açúcar pesam nos números. Além disso, volumes mais baixos agravam a situação. Medidas de eficiência da gestão ajudam parcialmente. Contudo, não compensam totalmente os impactos negativos.
A Raízen tinha R$ 18,6 bilhões em caixa em setembro. Além disso, possui US$ 1 bilhão em linhas não utilizadas. Porém, a dívida de curto prazo soma R$ 7,4 bilhões. Portanto, o colchão de liquidez diminui rapidamente.
Alerta da S&P e Críticas da Fitch
O consumo contínuo de caixa preocupa os analistas. Sem novas entradas, o caixa pode acabar em dois anos. Consequentemente, a empresa precisa agir com urgência. Assim, captações ou vendas tornam-se essenciais.
A Fitch aponta falha dos acionistas na injeção de capital. O prazo estabelecido passou sem movimentação concreta. Além disso, o desempenho operacional decepcionou expectativas. Portanto, a liquidez ficou mais desafiadora.
A Fitch projeta alavancagem bruta de 5,4x para os próximos anos. A líquida deve ficar em torno de 5,0x.
Esses níveis são altos para o setor energético. Consequentemente, limitam a flexibilidade financeira da companhia.
Dívida vence em breve
A empresa tem R$ 10,5 bilhões vencendo em 18 meses. Refinanciar essa dívida custará mais caro. Dessa forma, as taxas atuais de mercado pressionam ainda mais. Além disso, reduzem a margem de manobra.
Despesas com juros chegam a R$ 9,5 bilhões anuais. Os investimentos de capital também são elevados. Portanto, o fluxo de caixa livre será negativo até 2027. Assim, a situação exige soluções urgentes.
A Raízen precisa reverter essa trajetória rapidamente. Afinal, o tempo trabalha contra a empresa. Soluções estruturais se tornam inadiáveis. Enquanto isso, o mercado aguarda movimentos concretos da gestão.