US Flag flying on the Capitol Building in Washington DC.
US Flag flying on the Capitol Building in Washington DC.

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira (8) uma resolução histórica. Por 52 votos a 47, os parlamentares limitaram os poderes militares de Donald Trump. A partir de agora, novas ações na Venezuela precisam de autorização do Congresso.

A votação aconteceu dias após a captura de Nicolás Maduro. No sábado (3), forças americanas invadiram Caracas e prenderam o presidente venezuelano. Consequentemente, a operação gerou forte reação no Legislativo.

Republicanos rompem com Trump

Cinco senadores republicanos votaram contra a orientação da Casa Branca. Rand Paul (Kentucky), Susan Collins (Maine), Lisa Murkowski (Alasca), Josh Hawley (Missouri) e Todd Young (Indiana) apoiaram a resolução.

Dessa forma, a votação representou um raro momento bipartidário. Todos os democratas também aprovaram a medida. Portanto, o texto avançou mesmo com resistência do governo.

O documento é baseado na Lei de Poderes de Guerra de 1973. Ele estabelece critérios claros para uso da força militar. Primeiramente, o presidente deve cessar hostilidades contra a Venezuela.

Além disso, qualquer nova ação precisa de declaração de guerra formal. Alternativamente, o Congresso deve autorizar especificamente o uso de força. Assim, a medida reafirma o papel do Legislativo.

A aprovação no Senado é apenas o primeiro passo. Agora, o texto precisa passar pela Câmara dos Representantes. Lá, os republicanos detêm maioria estreita.

Posteriormente, a resolução enfrentará quase certamente um veto presidencial. Para derrubá-lo, serão necessários dois terços em ambas as Casas. Portanto, a aprovação definitiva permanece incerta.

Trump ataca senadores dissidentes

O presidente reagiu duramente à votação. Em sua rede social Truth Social, ele criticou os republicanos. “Eles deveriam se envergonhar”, escreveu Trump.

Segundo o presidente, a resolução “prejudica a segurança nacional americana”. Ele também afirmou que os cinco senadores “nunca mais deveriam ser eleitos”. Entretanto, os parlamentares mantiveram suas posições.

Os defensores da resolução citam a Constituição. “Bombardear outra capital é um ato de guerra”, declarou Rand Paul. Ele argumentou que nenhum dispositivo constitucional dá esse poder ao presidente.

Por outro lado, aliados de Trump defendem outra interpretação. Segundo eles, a captura de Maduro foi operação policial. O secretário de Estado Marco Rubio afirmou que foi “apenas a prisão de duas pessoas”.

Preocupações com escalada militar

A senadora Susan Collins explicou sua posição. Ela apoia a captura de Maduro pela “precisão e complexidade”. Entretanto, rejeita envolvimento militar prolongado sem autorização.

“Não apoio o envio de mais forças”, declarou Collins. Ela também mencionou preocupações com a Groenlândia. Consequentemente, muitos temem que Trump repita ações semelhantes.

Gastos militares em debate

O senador Tim Kaine destacou outro ponto importante. Ele mencionou que Trump quer elevar gastos militares de US$ 1 trilhão para US$ 1,5 trilhão. Dessa forma, cresce a preocupação com campanhas prolongadas e caras.

“Esta não é uma operação cirúrgica”, alertou Kaine. Ele citou ataques a embarcações e apreensões de petróleo venezuelano. Além disso, lembrou declarações de Trump sobre “governar a Venezuela”.

Reação venezuelana

O governo venezuelano descreveu a votação como “triunfo da razão”. Em comunicado oficial, Caracas celebrou a decisão do Senado. Entretanto, especialistas alertam que a crise no país continua.

Enquanto isso, a mobilização popular segue nas ruas venezuelanas. As manifestações pedem a libertação imediata de Maduro. Além disso, reafirmam a soberania nacional contra interferências externas.

Próximos passos

A votação final no Senado está prevista para a próxima semana. Posteriormente, o texto seguirá para a Câmara dos Representantes. Lá, enfrentará outro teste político importante.

Mesmo com obstáculos, a resolução envia uma mensagem clara. O Congresso americano quer retomar controle sobre decisões de guerra. Portanto, o debate sobre limites presidenciais deve intensificar nas próximas semanas.