
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Selic em 15% ao ano nesta quarta-feira (10) veio em linha com o esperado. No entanto, o tom do comunicado surpreendeu parte dos analistas.
O Banco Central reforçou que a política contracionista deve durar “por período bastante prolongado”. Com isso, reduziu a probabilidade de corte já em janeiro e deslocou as apostas para março de 2026.
Comunicado mantém postura conservadora
Marcelo Bolzan, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital, afirma que a principal surpresa veio da comunicação. “A manutenção da Selic já era amplamente esperada. A dúvida estava no tom, e ele veio novamente duro”, diz.
Além disso, o especialista destaca que o mercado aguardava alguma sinalização de cortes. O BC, porém, optou por repetir a mensagem conservadora.
“Pelo contrário. O Copom reforçou que os juros precisam permanecer contracionistas por um período prolongado. Assim, na minha visão, a chance de um corte em janeiro praticamente desaparece”, afirma Bolzan.
Apostas migram de janeiro para março
Rodrigo Marques, sócio e economista-chefe da Nest Asset Management, também viu o comunicado como um freio nas apostas mais otimistas. “O texto reforçou tudo o que o mercado já esperava e, com as projeções do Focus mencionadas, o consenso deve caminhar para cortes apenas em março”, avalia.
Por outro lado, Marques fez uma analogia bem-humorada para resumir a situação:
“O BC acabou sendo o ‘Grinch’ do Natal para quem acreditava numa queda iminente da Selic. A mensagem serviu mais para conter o otimismo do mercado do que para sinalizar mudanças.”
Reação dos mercados
Bolzan acredita que os mercados devem reagir ao tom duro do comunicado. “Amanhã, podemos ver um movimento de correção. Tivemos PIB mostrando desaceleração e IPCA abaixo do esperado. Mesmo assim, o BC reforçou a cautela”, afirma.
Além disso, ele prevê ajustes nos principais ativos. “Podemos ter realização na bolsa, dólar mais pressionado e alta nos juros futuros, sobretudo nos contratos curtos”, diz.
Projeções para 2026
A GCB Investimentos mantém a projeção de Selic estável em 15% até o início de 2026. A partir daí, espera uma flexibilização gradual. A casa projeta taxa básica perto de 12% ao fim do ano, dependendo da evolução dos dados e do cenário fiscal.
O diretor Constantino destaca que as eleições de 2026 terão papel determinante.
“O resultado eleitoral será crucial para a política fiscal, para a percepção de risco e para a confiança dos agentes econômicos. Esses elementos serão essenciais para um ambiente de juros estruturalmente mais baixos.”