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“Não adianta comprar ações na Bolsa se você nem possui reserva de emergência” alerta economista

Yolanda Fordelone, economista do Econoweek, revelou quais fatores impedem os investidores de alcançar uma boa rentabilidade, ensinou como montar uma carteira de investimentos diversificada e muito mais

Economista, jornalista e coordenadora de uma equipe em um aplicativo de gestão financeira, Yolanda Fordelone revelou quais são os fatores que impedem os investidores de alcançar uma boa rentabilidade, ensinou como montar uma carteira de investimentos diversificada, comentou sobre a quantidade de brasileiros investindo na Bolsa de Valores e muito mais.

“A quantidade de pessoas investindo em renda variável vem crescendo no Brasil, mas não podemos esquecer de comparar com o total. Estamos falando de cerca de 3 milhões de pessoas na Bolsa de Valores, em um total de mais de 200 milhões de habitantes. Então, ainda assim, é pouca gente”, explicou a economista, em conversa à BP Money.

Quando questionada sobre qual é o melhor momento para começar a investir, Yolanda destacou “invista agora” e afirmou que não adianta ficar esperando o momento perfeito, porque “o céu azul de brigadeiro” não existe. 

Além de economista e jornalista, Yolanda foi professora em um curso de graduação em Economia e atualmente também se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

Confira a entrevista completa: 

Na sua opinião, como economista e educadora financeira, quais fatores impedem que os investidores consigam alcançar uma boa rentabilidade? 

Eu acho que essa falta de rentabilidade está relacionada com, basicamente, dois fatores. Primeiro, a aversão ao risco, porque muitas pessoas se acostumaram a adotar posturas mais conservadoras nos investimentos. Isso se justifica por causa das altas taxas de juros que convivemos por muito tempo e também pela falta de previsibilidade da inflação. Parece distante, mas tem apenas 40 anos que sofremos muito com a instabilidade da inflação. Ou seja, é um histórico recente. Outro fator importante de ser ressaltado é o acesso ao mercado, que vem se popularizando de uns anos para cá. Dessa maneira, as pessoas ainda hoje acabam escolhendo investimentos mais conservadores. E justamente pelo fato das pessoas escolherem aplicações mais conservadores, como CDBs (Certificado de Depósito Bancário), elas acabam se sujeitando a rentabilidade menores. Até mesmo as pessoas mais jovens seguem muito por esse caminho. Apesar do cenário ter mudado nos últimos tempos, a quantidade de pessoas investindo em renda variável vem crescendo, mas não podemos esquecer de comparar com o total. Estamos falando de cerca de 3 milhões de pessoas na Bolsa de Valores, em um total de mais de 200 milhões de habitantes. Então, ainda assim, é pouca gente.

Em momentos de crise, como esse que estamos vivendo agora, surgem boas oportunidades de investimento?

Surgem sim! A gente tem visto alguns fundos imobiliários e ações bem descontadas. Além disso, é possível observar aplicações de renda fixa pagando mais de 10% ao ano, considerando uma perspectiva de médio e longo prazo, além do cenário de juros mais altos que devemos continuar observando esse ano. Então, tudo é uma questão de equilíbrio, foco e de boa pesquisa do mercado, porque em momentos de crise surgem boas oportunidades sim.

Muitos especialistas falam sobre a importância da diversificação dos investimentos, como forma de se proteger das oscilações do mercado. Mas como montar, de fato, uma carteira diversificada?

Eu olharia atentamente para dois pontos: a diversificação de classes de ativos, ou seja, não ficar só exposto em renda fixa, mas ter um pouco de capital aplicado na renda variável, como investimentos em imóveis, que pode ser através dos fundos imobiliários. Enfim, ter diferentes tipos de classes de ativos na carteira. O outro ponto é olhar o risco individual de empresas de mesma classe e diferentes setores. Isso porque, mesmo que as empresas sejam de setores diferentes, elas podem estar expostas aos mesmos riscos. Por exemplo, empresas de ramos diferentes que possuem dívida em dólar: caso a cotação do dólar suba, ambas serão prejudicadas. Então é interessante olhar dentro da mesma classe de ativos, os riscos dos diferentes setores.

Com o aumento da taxa básica de juros da economia, Selic, para 3,5% ao ano, as aplicações em renda fixa voltam a ser consideradas opções mais atrativas aos investidores?

Sim, sem dúvida! Há muitos especialistas e economistas especulando que a Selic chegue à valores entre 5% e 6% ao ano, ou até mais que isso, até o final de 2021. Mas independente da taxa, a renda fixa como um todo está pagando mais. Os títulos prefixados seguem ajustando os seus preços de acordo com essa grande expectativa de alta. Os títulos atrelados à inflação (IPCA) também estão oferecendo prêmios maiores na taxa fixa e os pós-fixados vão melhorando a sua rentabilidade, aos poucos, conforme a taxa vai subindo. Até a poupança vai passar a render um pouco mais. Contudo, vale lembrar que a poupança rende apenas 70% da Selic. Além disso, como a inflação tem projeção para cerca de 5% este ano, a poupança corre o risco de perder para a alta de preços. Na verdade, não só a poupança, mas outros títulos de renda fixa também podem “perder” para a inflação. Ou seja, é fato que a renda fixa está melhorando os seus rendimentos, mas é importante que o investidor acompanhe de perto as suas aplicações.

Quais dicas você daria aos investidores para ajudá-los a melhorar a performance dos seus respectivos investimentos?

Eu diria para diversificar, como já comentei anteriormente, ou seja, estratégias que contemplem diferentes classes de ativos. Isso porque se algum ativo acabar indo mal na carteira, outro investimento pode compensar. 

Outra dica que eu daria é para que as pessoas sigam o passo a passo e não se atropelem. Eu sei que, atualmente, se fala muito sobre mercado acionário, mas não adianta comprar ações na Bolsa se você nem possui uma reserva de emergência. Comece com a sua reserva, depois diversifique em fundos de renda fixa e alguns ativos de renda variável, como fundos de ações, fundos imobiliários e similares. Mas não vá direto ao que todo mundo está falando, porque nessa você pode se dar muito mal.

Além disso, não fique esperando o melhor momento!

Invista agora, porque não adianta ficar esperando o momento perfeito, ‘o céu azul de brigadeiro’ não existe. Sempre haverá um motivo que vai te fazer questionar ‘ah, mas eu não estou preparada’. Comece com pouco, mas comece! Assim você vai entendendo a lógica do mercado.

E a dica final é: invista sempre. Não espere receber uma ‘bolada’ de bonificação, décimo terceiro ou algo do tipo. Se organize, adeque o seu padrão de vida aos investimentos que deseja fazer, economize e crie o hábito de investir sempre. Isso vai fazer a diferença nas suas finanças.

Para acompanhar o trabalho da economista do Econoweek, basta segui-la no Instagram @yofordelone.  

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