Atração de investimentos

Chegada de gigantes chinesas à Bahia abre portas para mais empresas do setor energético, prevê secretário

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Ventos do oriente começam a soprar com força na Bahia e a incentivar, a partir de investimentos de gigantes chineses, a geração de energia limpa. O anúncio da instalação da Goldwind, empresa chinesa que é líder mundial na produção de aerogeradores, não fecha portas para a chegada de outras que aqueçam ainda mais o mercado baiano e nordestino: isso porque a intenção não é focar somente no mercado brasileiro, mas abastecer outros países que também precisam investir em geração de energias renováveis.

“A intenção da Goldwing não é vir para a Bahia, para o Brasil, apenas para produzir aerogeradores para fornecer em território brasileiro; aqui está em jogo o fornecimento para a África, para a América do Norte. E se nós temos na Bahia uma empresa que tem todas essas especificidades com o nível de qualidade que a Goldwind tem, até por ser a empresa que mais vende aerogeradores hoje. Se ela está vindo, é porque coisa boa tem. E aí é um exemplo que arrasta. Ela vai trazendo com ela uma sucessão de outras empresas, fábricas de outros artefatos para construir equipamentos como aquele. Então se ela está vindo, é possível que outras empresas possam vir também para assumir essa tarefa de produzir aerogeradores para abastecer o mundo”, comentou o secretário de Desenvolvimento Econômica da Bahia, Ângelo Almeida, em entrevista ao Green Energy Report, editoria do portal BP Money.

O secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Ângelo Almeida, no podcast da Green Energy Report

A chegada da Goldwind e outras chinesas são resultado de uma visita feita por comitiva do Governo da Bahia à China há um ano, liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues. Além da Goldwind, o estaodo atraiu também a gigante BYD, líder mundial na produção de veículos elétricos, e a Simona Blade, grande produtora de pás eólicas. Para trazer a Goldwind para território baiano, foi necessário vencer uma disputa com o Ceará: Ângelo Almeida ressaltou que pesou a favor da Bahia a capacidade de dialogar e de adquirir a confiança dos chineses.

“Sem nenhuma dúvida, foi a capacidade de dialogar e arquirir a confiança dos chineses [que garantiu a vinda da Goldwind]. Já existiam alguns entendimentos antes, iniciados pelo ex-governador Rui Costa, mas essa missão do governador Jerônimo foi fundamental porque foi no ‘olho no olho’, na segurança que foi passada para os empresários chineses em três grandes companhias que são líderes globais nos seus setores: seja a BYD, líder global hoje na venda de automóveis elétricos; a Goldwing, líder global da produção de aerogeradores; e a Sinoma Blade, que é lider global na produção de pás eólicas. Pela primeira vez, estas empresas saem do território chinês e escolhem a Bahia. A participação efetiva e a confiança na palavra e nas ações que vieram acontecendo imediatamente após aquela missão foram fundamentais para a escolha”, explicou Ângelo Almeida.

Almeida explique a decisão para a Goldwind vir para a Bahia foi apresentada ao mercado a nível internacional no mês de outubro de 2023. “Agora em abril, já foi assinado pelo governador o termo de anuência que permite, por exemplo, a transferência da planta da antiga GE que fechou para a Goldwind. Ela já vai estar se instalando com geração de emprego, de renda, com a possibilidade concreta de trazer com ela diversas outras indústrias com uma cadeia que vem para atender as necessidades dessa planta de aerogeradores”, explicou. O CEO da Goldwind, Roberto Veiga, já esteve com o secretário neste mês de abril logo após assinatura do documento de compra da planta da GE e informou que, inicialmente, vão importar as peças para montar esses aerogeradores e até novembro ou dezembro desta ano possivelmente serão produzidos os primeiros aerogeradores na Bahia.

O trabalho de atração também foi realizado com a visita a representantes chineses já instalados no Brasil. “A Sinoma Blade, eu visitei agora em abril, estive lá visitando o CEO daqui do Brasil e passei uma manhã inteira conhecendo a fábrica. É impressionante: as pás eólicas de 84 metros são as maiores produzidas na América Latina, que está se produzindo na Bahia; e a BYD, por sua vez, está arrancando em fase de implantação de uma nova planta”, detalhou o secretário. Ele explicou que a Ford, na planta que agora será utilizada pela BYD, tinha 350 mil metros quadrados de galpões. “A BYD vai ter quase um milhão de metros quadrados. Começaram com uma proposta de R$ 3,5 bilhões de investimentos, já está em R$ 5,5 bilhões e meio, [com] geração de dez mil empregos”, comparou.

Ângelo Almeida pontuou que os chineses definiram que é o Brasil o país onde eles podem se ancorar e explorar negócios para dialogar com o mundo ocidental. “A partir daí, o privilégio que a Bahia tem de receber esses empreendimentos é um privilégio que vai trazer um intercâmbio inclusive científico, de cultura e de geração de emprego e renda que é o que a gente efetivamente precisa para trazer o bem-estar para o nosso povo. Isso vai acontecer e nos estimula muito e não tem volta: o foguete partiu, não tem ré. Vamos ter muito desenvolvimento, vamos ter emprego, vamos ter renda aqui para o povo da Bahia. Estou muito feliz de ter participado desse momento e tenho certeza que a presença e a atitude política e de gestão do governador Jerônimo foi fundamental para termos avançado a passos tão largos em apenas um ano”, salientou o secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia.