
Liu Debing, presidente e cofundador da Zhipu AI, entrou para o clube dos bilionários. O executivo de 49 anos acumulou fortuna de US$ 2,1 bilhões (R$ 11,97 bilhões) após a estreia da empresa em Hong Kong.
A Knowledge Atlas Technology, conhecida como Zhipu, estreou na Bolsa nesta quinta-feira (8). Portanto, Liu se junta à lista de bilionários criados pela corrida da inteligência artificial.
IPO levanta meio bilhão de dólares
A empresa levantou HK$ 4,3 bilhões, equivalentes a US$ 558 milhões (R$ 3,18 bilhões). A oferta incluiu 37,4 milhões de ações a HK$ 116,2 cada.
Além disso, a Zhipu conta com investidores de peso. Entre eles estão Alibaba, Tencent, Hillhouse e Qiming Venture Partners. Fundos ligados ao governo chinês também participam da estrutura acionária.
A companhia agora tem valor de mercado de HK$ 58,6 bilhões. As ações encerraram o pregão em alta de 13,2%. Entretanto, a abertura foi morna e os papéis chegaram a cair abaixo do preço da oferta.
Quem é Liu Debing
Liu é veterano do setor de tecnologia da computação. Durante quase duas décadas, trabalhou como engenheiro na Technicolor (China) Technology. Também atuou na prestigiada Universidade Tsinghua.
Em 2019, decidiu empreender por conta própria. Fundou a Zhipu ao lado do diretor-executivo Zhang Peng. O cofundador também tem histórico na Universidade Tsinghua, onde trabalhou por mais de dez anos até 2020.
A instituição é especialmente relevante na China. Foi lá que o presidente Xi Jinping se formou. Portanto, a conexão acadêmica fortalece o prestígio dos fundadores.
Expectativa não totalmente correspondida
A listagem era aguardada com grande expectativa. Afinal, tratava-se da primeira grande startup chinesa de IA generativa a abrir capital. Porém, o desempenho ficou aquém do esperado.
Os ganhos não se compararam aos de empresas chinesas de chips. Moore Threads, MetaX Integrated Circuits e Shanghai Biren Technology registraram saltos mais expressivos. Todas tiveram ganhos de dois ou três dígitos em suas estreias recentes.
Mesmo assim, a demanda do varejo foi forte. A parcela da oferta destinada a investidores de varejo foi subscrita mais de mil vezes. Isso demonstra o apetite por empresas do setor.
O que pode estar freando os investidores
Segundo Kenny Ng, da Everbright Securities International, restrições aos chips da Nvidia preocupam o mercado. “Relatos sobre limitações ao uso desses componentes podem estar freando parte dos investidores”, afirma.
Autoridades chinesas teriam solicitado esta semana que empresas locais suspendessem pedidos dos chips H200. A medida veio após o governo Trump reverter proibições à exportação de chips avançados.
Entretanto, as autoridades podem permitir aquisições para usos comerciais específicos. A Bloomberg reportou essa possibilidade citando fontes anônimas.
Alternativas locais para contornar sanções
A Zhipu foi incluída em lista de restrições comerciais dos Estados Unidos no início de 2025. Consequentemente, desenvolveu modelos de IA com base em alternativas locais.
A empresa utiliza chips da Cambricon Technologies, do bilionário Chen Tianshi. Também usa produtos da Moore Threads, do bilionário Zhang Jianzhong. Dessa forma, busca contornar as limitações impostas por Washington.
Porém, investidores temem limitações no treinamento de modelos. Os chips H200 ainda são considerados superiores para esse tipo de operação. Assim, a escassez pode afetar a eficiência da companhia.
Crescimento acelerado apesar dos desafios
Apesar das restrições, a Zhipu vem crescendo rapidamente. A empresa fornece modelos capazes de raciocinar, além de gerar imagens e vídeos. Os produtos atendem desenvolvedores individuais, empresas e setores públicos.
A receita mais que quadruplicou no primeiro semestre de 2025. O faturamento alcançou 191 milhões de yuans, equivalentes a US$ 27,3 milhões (R$ 155,61 milhões). Portanto, a trajetória de crescimento impressiona.
Entretanto, as perdas quase dobraram no mesmo período. Chegaram a 2,4 bilhões de yuans devido aos elevados gastos com pesquisa. Consequentemente, a empresa ainda busca rentabilidade.
Planos para os recursos do IPO
A companhia pretende destinar a maior parte dos recursos para pesquisa e desenvolvimento. O foco está em aprimorar seus modelos de IA de propósito geral. Assim, busca competir diretamente com ChatGPT e Claude.
A Zhipu oferece um serviço semelhante ao ChatGPT chamado Z.ai. A plataforma atende mais de 2,7 milhões de desenvolvedores corporativos. Além disso, opera através de uma estratégia de Model-as-a-Service (MaaS).
Rival MiniMax estreia na sexta
A Zhipu não está sozinha na corrida ao mercado de capitais. Outra empresa chinesa de modelos de IA, a MiniMax, estreará na Bolsa de Hong Kong nesta sexta-feira (9).
A MiniMax foi fundada em 2021 pelo ex-executivo da SenseTime Yan Junjie. Opera o gerador de vídeo Hailuo AI, que compete diretamente com o Sora da OpenAI.
Juntas, Zhipu e MiniMax devem captar US$ 1,1 bilhão. Enquanto isso, OpenAI e Anthropic ainda não abriram seus processos de IPO. Assim, as startups chinesas antecipam-se aos gigantes americanos.