Foto: Petróleo/CanvaPro
Foto: Petróleo/CanvaPro

A captura de Nicolás Maduro por forças de elite dos Estados Unidos, na madrugada de 3 de janeiro de 2026, marcou uma mudança decisiva no equilíbrio de poder no Hemisfério Ocidental. Poucas horas depois, o então presidente Donald Trump anunciou que os EUA passariam a “administrar a Venezuela”, encerrando um ciclo de influência asiática e inaugurando uma ocupação orientada à exploração direta dos recursos naturais do país, com destaque para o petróleo venezuelano.

A resposta do mercado financeiro foi imediata. Em poucos dias, o fundo Amos Global Energy, liderado por ex-executivos da Chevron, iniciou a captação de US$ 2 bilhões para projetos petrolíferos no país. A tese é clara: grandes petroleiras americanas voltam a ter acesso a ativos que permaneceram bloqueados por décadas. A necessidade de substituição de reservas, métrica central do setor, reforça o interesse — em movimento semelhante ao da Petrobras na Margem Equatorial.

Outro fator de atração é a expectativa de condições contratuais mais favoráveis. ExxonMobil e ConocoPhillips buscam bilhões de dólares em indenizações pelas nacionalizações promovidas por Hugo Chávez em 2007. Até mesmo a Chevron, que manteve operações no país, tem valores a receber. O desafio, no entanto, é expressivo: elevar a produção dos atuais 900 mil barris de petróleo por dia para dois milhões até 2030 exigiria cerca de US$ 100 bilhões em investimentos, segundo estimativas do setor.

Venezuela x EUA

Apesar disso, o apetite por uma Venezuela sob tutela americana é elevado. Um consultor ouvido pelo Wall Street Journal projeta que investimentos estrangeiros entre US$ 500 bilhões e US$ 750 bilhões possam ingressar no país nos próximos cinco anos, impulsionados pela reconstrução econômica e por um novo governo alinhado à atração de capital internacional.

Contudo, empresas brasileiras também aparecem nesse novo tabuleiro. A J&F, controladora da petroleira Fluxus, já atua na Argentina e na Bolívia e mantém presença na Venezuela, com interesse declarado na exploração de petróleo. Outro nome é a Maha Energy, controlada pela gestora brasileira Starboard, que detém uma opção de compra sobre uma participação no campo de Petrourdaneta, no Lago de Maracaibo. Ativo avaliado em até US$ 300 milhões.

Embora o petróleo concentre as atenções, o potencial econômico venezuelano vai além. O país abriga grandes reservas de ouro, gás natural, carvão e outros minerais, especialmente no Arco Minero del Orinoco. Esse potencial contrasta com uma economia devastada, dependente quase exclusivamente do petróleo, marcada por hiperinflação, colapso industrial e infraestrutura precária. Durante o chavismo, a mineração foi militarizada e grande parte da produção passou à ilegalidade.

Por fim, até a queda de Maduro, a Venezuela sobreviveu com apoio de China, Rússia e Irã, que forneceram financiamento, insumos e canais de escoamento do petróleo, em grande parte destinados ao pagamento de dívidas. Com os Estados Unidos no comando, esse modelo tende a se encerrar, abrindo espaço para uma nova ordem econômica, carregada de interesses globais.