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Trump inicia demissões em massa nas agências de saúde dos EUA

As demissões incluem o pesquisadores, cientistas, médicos, funcionários de apoio e líderes seniores

Foto: RS/Fotos Públicas
Foto: RS/Fotos Públicas

Funcionários do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS) começaram a receber notificações de demissão na última terça-feira (1º), como parte de uma grande reformulação que poderá resultar na eliminação de até 10 mil vagas.

As demissões afetam uma gama de profissionais, incluindo pesquisadores, cientistas, médicos, funcionários de apoio e líderes seniores, o que deixa o governo federal sem muitos dos especialistas que, tradicionalmente, orientam decisões sobre pesquisa médica, aprovação de medicamentos e outras questões críticas.

No Instituto Nacional de Saúde (NIH), a maior agência de saúde e medicina do mundo, as demissões ocorreram no primeiro dia de trabalho do novo diretor, Dr. Jay Bhattacharya.

“A revolução começa hoje!” celebrou o Secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., em suas redes sociais, após a posse de Bhattacharya e Martin Makary, novo comissário da Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA).

A publicação de Kennedy foi feita poucas horas depois de os funcionários começarem a receber os avisos de demissão por e-mail.

Na semana anterior, Kennedy havia anunciado um plano de reestruturação do HHS, que é responsável por monitorar as tendências de saúde, surtos de doenças, conduzir e financiar pesquisas médicas, garantir a segurança de alimentos e medicamentos, além de administrar programas de seguro-saúde para quase metade da população americana.

O plano inclui a consolidação de agências responsáveis por bilhões de dólares destinados a serviços de combate ao vício e centros de saúde comunitários, criando um novo órgão denominado Administração para uma América Saudável.

A reestruturação prevê uma redução no número de funcionários do HHS para 62 mil, com cortes diretos de 10 mil vagas e outros 10 mil postos sendo eliminados por aposentadorias antecipadas e desligamentos voluntários.

As demissões afetarão principalmente as sedes em Washington e Atlanta (onde está localizado o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, CDC), além de escritórios menores espalhados pelo país.

O HHS estima que a medida gerará uma economia de US$ 1,8 bilhão por ano, dentro de um orçamento total de US$ 1,7 trilhão, sendo a maior parte destinada ao Medicare e Medicaid.

Demissões no setor de saúde geram reações de choque entre funcionários

Muitos funcionários descobriram sua demissão ao tentar acessar seus escritórios e perceber que seus crachás haviam sido desativados.

Outros, impossibilitados de entrar, se reuniram em cafeterias e restaurantes, com alguns questionando se aquilo não era uma pegadinha do tipo “1º de abril”.

No NIH, os cortes afetaram pelo menos quatro diretores de institutos e centros da agência, além de quase toda a equipe de comunicação.

No FDA, dezenas de funcionários responsáveis pela regulação de medicamentos, alimentos, dispositivos médicos e produtos de tabaco foram notificados, incluindo toda a equipe que supervisiona os cigarros eletrônicos.

“Essas mudanças destruíram a FDA como a conhecemos”, afirmou o ex-comissário Robert Califf, que deixou o cargo no final do governo Biden.

As demissões acontecem poucos dias depois que o presidente Donald Trump retirou os direitos de negociação coletiva de trabalhadores do HHS e de outras agências federais.

A senadora democrata Patty Murray expressou preocupação, alertando que tais cortes podem trazer sérias consequências durante desastres naturais e surtos de doenças infecciosas, como o atual surto de sarampo.

No CDC, funcionários relataram o impacto de cortes extensivos em programas voltados ao monitoramento de condições como asma, poluição do ar, tabagismo, violência armada, saúde reprodutiva e mudanças climáticas.

O Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional (NIOSH) foi um dos mais atingidos, com a perda de mais de mil funcionários.