Ouro
Ouro/ Foto: Freepik

O ouro brilhou intensamente em 2025. Assim, o metal precioso registrou valorização de 63%, segundo dados do Banco Mundial.

Essa foi a maior alta anual desde 1979. Portanto, o desempenho superou todas as expectativas mais otimistas do mercado.

Em janeiro de 2025, a onça-troy custava cerca de US$ 2.600. Entretanto, em dezembro, o preço atingiu máxima de US$ 4.500.

Ontem, os contratos mais líquidos da Nymex chegaram a US$ 4.616. Consequentemente, o metal superou ações, dólar e títulos públicos.

Por que o ouro disparou?

O Conselho Mundial do Ouro (WGC) aponta três fatores principais. Primeiramente, houve aumento da incerteza geopolítica e econômica.

Além disso, o dólar apresentou enfraquecimento ao longo do ano. Finalmente, investidores e bancos centrais buscaram diversificação de seus portfólios.

A demanda dos bancos centrais foi especialmente forte. Assim, autoridades monetárias compraram mais de mil toneladas anualmente desde 2022.

Para 2025, as estimativas indicam entre 750 e 900 toneladas. Antes da pandemia, a média anual era de apenas 497 toneladas.

ETFs impulsionam procura

Os fundos de índice (ETFs) também impulsionaram os preços. Portanto, esses fundos registraram entrada líquida equivalente a 801,2 toneladas de ouro.

Isso representa aproximadamente US$ 88,5 bilhões em investimentos. Ademais, a América do Norte liderou essa busca com 445,6 toneladas.

A Ásia ficou em segundo lugar com 215,4 toneladas. Enquanto isso, a Europa contribuiu com 131,4 toneladas.

Paralelo com 1979

A última valorização similar ocorreu em 1979. Naquela época, o segundo choque do petróleo provocou forte inflação no dólar.

Emerson Braz, economista da PUC-SP, explica o fenômeno. “O ouro é um refúgio para momentos de incerteza”, afirma.

Diferentemente das moedas, o metal não depende de bancos centrais. Portanto, seu valor depende apenas da oferta disponível no mercado.

Atualmente, há uma crise de confiança no dólar. Consequentemente, bancos centrais globais acumulam mais ouro que títulos americanos.

Recorde histórico nas reservas

As reservas globais de ouro já ultrapassam US$ 4 trilhões. Em contrapartida, países estrangeiros detêm cerca de US$ 3,9 trilhões em títulos do Tesouro americano.

Essa inversão não acontecia desde 1996. Portanto, representa uma mudança significativa no sistema financeiro global.

Previsões para 2026

Grandes bancos projetam valorização contínua. Assim, J.P. Morgan, Goldman Sachs e Morgan Stanley esperam preços entre US$ 4.600 e US$ 5.000.

O J.P. Morgan prevê US$ 4.655 no segundo trimestre. Além disso, espera que o metal atinja US$ 5.000 até dezembro.