Bitcoin: empresa quebra e revela dívida de US$ 500 milhões
Empresa de bitcoin pede recuperação judicial / Foto: Freepik

Nesta quarta-feira (21), o Bitcoin hoje operou sob pressão em um ambiente de aversão ao risco que atingiu ações na Ásia e reforçou a busca por proteção em metais.

Na leitura de André Franco, CEO da Boost Research, o pano de fundo é a combinação entre tensões geopolíticas, ameaças comerciais envolvendo EUA e Europa e o retorno do discurso de “Sell America”, com redução de exposição a ativos norte-americanos.

“Esse movimento provocou sell-off em Wall Street e um deslocamento de capital para ativos considerados porto-seguro, como ouro e prata”, escreveu Franco.

No mesmo comentário, ele citou o preço do Bitcoin ao redor de US$ 89.400 e descreveu uma expectativa “neutra a levemente negativa” no curto prazo, com chance maior de consolidação do que de alta, enquanto a preferência por proteção domina.

Mercados asiáticos e juros do Japão entram no centro do risco

A análise de Paulo Aragão, economista e host do podcast Giro Bitcoin, acrescenta um fator específico: o mercado de títulos do Japão.

“Um dos principais fatores vem do mercado de títulos do Japão, que registrou um movimento nos juros de longo prazo, aumentando a aversão ao risco global e impactando diretamente o mercado cripto”, afirmou.

Aragão também apontou que o mercado passou a monitorar uma possível resposta do Banco Central do Japão. “O mercado agora acompanha de perto uma possível intervenção do Banco Central do Japão, que poderia aliviar a tensão”, disse.

Falha na Paradex entra no radar e amplia volatilidade no curto prazo

Além do macro, houve um ruído técnico no ecossistema.

“Um problema técnico na corretora descentralizada Paradex levou o preço do Bitcoin a aparecer momentaneamente como zero”, relatou Aragão, citando falha ligada à migração de banco de dados.

Segundo ele, o episódio “contribuiu para o nervosismo e amplificou a volatilidade no curto prazo”.

Análise técnica do Bitcoin: suportes e pontos de reação

No mapa técnico, Aragão indicou níveis observados por traders. “Os dados de mercado indicam que uma reação inicial poderia levar o Bitcoin de volta à região dos US$ 91.600”, afirmou.

Ele também destacou a faixa “entre US$ 95.000 e US$ 95.300” como área com concentração de posições vendidas, onde recompras podem ocorrer se o preço estabilizar.

Para o economista, o comportamento do fluxo também importa. “O sentimento no mercado cripto está bastante negativo e grandes investidores seguem comprando nesses níveis”, disse, ao passo que o varejo adota postura mais cautelosa.

No noticiário paralelo, a Boost Research citou o avanço de ativos digitais lastreados em metais.

“O volume de negociação de ouro tokenizado superou o da maioria dos ETFs tradicionais”, apontou Franco, em meio à valorização do ouro e à migração para estruturas com liquidez contínua.

A análise também mencionou a expansão da Chainlink para dados do mercado de ações dos EUA via “Data Streams”, a definição de data para airdrop de tokens a acionistas da Trump Media (DJT), restrições ao Polymarket em Portugal e uma iniciativa na CFTC voltada a ativos digitais.

No curto prazo, a referência central segue sendo o nível de estabilidade do preço. “O Bitcoin precisa se manter acima da região dos US$ 89.500 para evitar novas mínimas no mês e atrair compradores novamente”, afirmou Aragão.

Assim, Bitcoin hoje continua sensível ao macro, ao noticiário regulatório e a ruídos técnicos, com atenção redobrada para os próximos sinais vindos do Japão e de Davos.