Imagem realista e impactante representando o bitcoin em destaque no centro, com símbolo dourado reluzente e detalhes digitais que remetem à tecnologia blockchain. À esquerda, um barril de petróleo preto com líquido escorrendo simboliza a influência do mercado energético. À direita, pilhas de dólares e um cifrão prateado reforçam a relação entre bitcoin, câmbio e economia global. Ao fundo, um gráfico financeiro em alta sugere valorização do bitcoin no cenário econômico atual. A iluminação em tons de dourado e azul transmite sofisticação e seriedade, ideal para ilustrar matérias sobre cotação do bitcoin, petróleo e dólar.
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O mercado cripto iniciou a quarta-feira (7) com o Bitcoin negociado próximo de US$ 92.500, em um ambiente marcado por cautela global.

A combinação entre tensões geopolíticas, reprecificação do petróleo e força do dólar reduziu o apetite por risco, movimento que também apareceu nos mercados asiáticos, onde o índice MSCI Asia-Pacific fora do Japão recuou cerca de 0,2%.

Para André Franco, CEO (diretor-presidente) da Boost Research, o momento pede leitura pragmática. “A expectativa de curto prazo para o Bitcoin é neutra a levemente negativa”, afirmou. Segundo ele, o mercado segue sem um catalisador claro que justifique aumento de posição em ativos de risco.

Petróleo da Venezuela entra no preço e muda correlações

O principal vetor do dia veio do petróleo. Os preços recuaram após o anúncio de que a Venezuela pode direcionar até 50 milhões de barris ao mercado dos Estados Unidos a preço de mercado, ampliando a percepção de oferta global.

Na avaliação de Franco, esse movimento não fica restrito à energia. “Quando o petróleo entra em ajuste por oferta, o investidor revisita correlações e tende a reduzir risco em bloco”, disse. Para ele, a queda da commodity acaba influenciando também ativos digitais, sobretudo em sessões de baixa liquidez relativa.

Dólar forte e dados de emprego travam o risco

Além do petróleo, o dólar segue como peça central do quebra-cabeça. A moeda norte-americana manteve força enquanto investidores aguardam indicadores de emprego nos EUA, como JOLTS e ADP, que antecedem o payroll de sexta-feira e ajudam a calibrar expectativas sobre juros.

“O ambiente de dólar forte e de espera pelos dados de emprego dos EUA limita entradas mais direcionais no Bitcoin”, explicou Franco. “Sem clareza sobre o ritmo de cortes de juros do Federal Reserve, o mercado prefere operar defensivo”, acrescentou.

Bitcoin hoje: leitura técnica e macro

Nesse contexto, o Bitcoin tem operado em faixa, sem tendência definida. Para o CEO da Boost Research, o cenário favorece movimentos laterais até que haja sinal mais concreto da política monetária.

“A ausência de um gatilho macro positivo faz o BTC oscilar, com leve pressão descendente, até que o mercado tenha novos dados para precificar”, disse.

Morgan Stanley e ETFs de Bitcoin à vista

No campo institucional, o mercado acompanhou a informação de que o Morgan Stanley avalia permitir a oferta de ETFs de Bitcoin à vista por meio de sua rede de consultores. O tema chamou atenção por envolver distribuição em larga escala.

Dessa forma, Franco avalia que o impacto tende a ser estrutural, e não imediato. “A entrada de grandes bancos amplia o acesso, mas o efeito em preço depende de fluxo consistente. Não é algo automático”, afirmou.

Regulação nos EUA e o papel das stablecoins

O noticiário regulatório também voltou ao radar, com o Senado dos EUA retomando discussões sobre um projeto de lei para criptoativos, incluindo definições entre SEC e CFTC e regras para stablecoins. Paralelamente, dados da CoinDesk mostram que o USDC, da Circle, voltou a crescer mais que o USDT, da Tether, pelo segundo ano consecutivo.

Para Franco, o tema segue relevante para o médio prazo. “Regulação clara não gera rali imediato, mas reduz custo de capital e incerteza. Isso aparece no tempo, não no dia seguinte”, disse.

No fechamento do “café” cripto, a mensagem é direta: enquanto emprego nos EUA, dólar e petróleo não apontarem direção, o Bitcoin tende a seguir em compasso de espera, com o mercado ouvindo mais o macro do que o gráfico.