
O bitcoin voltou para a região dos US$ 89 mil, retornando ao ponto inicial do último rompimento após uma combinação de fatores.
Entre eles, “realização de lucros por parte de mineradores”, saídas líquidas de US$ 243 milhões dos ETFs e “uma rejeição clara na região dos US$ 93.600”, segundo Paulo Aragão, economista e host do podcast Giro Bitcoin.
Na leitura do analista, o movimento “reforça a leitura de que o mercado passa por um ajuste natural depois da recente alta”. Ao mesmo tempo, ele avalia que o comportamento do mercado de derivativos segue relevante para entender o que vem pela frente.
Derivativos e liquidez: como o mercado está se posicionando
No segmento de derivativos de bitcoin, Aragão afirma que “investidores continuam pagando para se posicionar em cenários de alta mais à frente, inclusive com apostas mirando o primeiro trimestre do ano”. Ele também destaca que parte da pressão recente pode ter relação com “limpeza de posições excessivamente alavancadas”.
Com isso, o cenário de curto prazo abre espaço para novas oscilações. “Apesar da volatilidade de curto prazo, uma queda adicional em direção à região dos US$ 87 mil não seria algo fora do esperado”, disse Aragão, acrescentando que esse tipo de movimento ainda se encaixa em consolidação e “não altera, por si só, a leitura de médio prazo”.
Petróleo e geopolítica: pano de fundo para o apetite por risco
Na avaliação de André Franco, CEO, diretor-presidente da Boost Research, “os preços do petróleo recuperando parcialmente após recentes quedas e após as tensões geopolíticas, sustentando uma leve alta das commodities” ajudaram a compor o ambiente global.
Franco também aponta que investidores acompanham a agenda dos EUA, com atenção ao relatório de emprego, por seu potencial de influenciar expectativas para juros. Nesse contexto, ele diz que o bitcoin, “cotado atualmente em cerca de US$ 91.100”, tem “expectativa de preço no curto prazo neutro a levemente positivo”.
Ainda assim, pondera que “a incerteza derivada de geopolítica e dados macro mistos limita a força de uma alta expressiva”, o que pode levar a “consolidação ou movimentos laterais” antes da divulgação dos dados.
Altcoins: Ethereum, XRP e Solana entram no radar
O movimento do bitcoin também respinga nas principais altcoins. Aragão observa que “no mercado de altcoins, o momento pede cautela”, citando que o Ethereum tem uma zona sensível próxima de US$ 3 mil, enquanto XRP e Solana enfrentam áreas de ajuste após movimentos recentes.
Além do preço: stablecoins e bancos ampliam a pauta cripto
Enquanto o mercado acompanha preço, juros e ETFs, outras frentes também ganham espaço. Entre os temas citados no noticiário recente do setor estão:
- lançamento de stablecoin pareada ao real com modelo de “yield-sharing” (compartilhamento de rendimentos);
- pedido de licença bancária federal por uma plataforma cripto ligada à família do presidente Donald Trump;
- movimento de banco global para estruturar um trust de Ether após ampliar exposição a ETFs;
- tese de “superciclo de tokenização” mirando 2026, com foco em RWA (ativos do mundo real);
- investimento de banco europeu em infraestrutura de liquidação com stablecoins.
No curto prazo, o mercado segue atento aos dados dos EUA, ao fluxo dos ETFs e ao comportamento de derivativos. No médio prazo, as falas dos analistas reforçam a leitura de consolidação, com o bitcoin no centro das atenções.