As bolsas globais registram quedas acentuadas durante o pré-mercado desta quinta-feira (3), indicando que os mercados reagiram negativamente às tarifas anunciadas por Trump no Liberation Day.
As ações do setor de tecnologia foram as mais afetadas no after hours da véspera, com perdas de 34% para a China e 32% para Taiwan.
A Apple, fabricante dos iPhones na Ásia, sofreu uma queda de 6%. Em seguida, os mercados asiáticos e europeus refletiram esse impacto, com a Europa enfrentando uma taxação de 20%.
O Brasil foi um dos menos prejudicados, com uma tarifa de apenas 10% sobre todos os parceiros comerciais dos EUA, embora o agronegócio já tenha pressionado o governo para tentar reverter essa situação.
Na agenda desta quinta-feira (3), a expectativa está voltada para as respostas da China e da União Europeia, cujas ações podem definir a escala da guerra comercial.
Em sua primeira reação, o Ministério do Comércio da China exigiu a “revogação das medidas unilaterais”.
As tarifas impostas à China e Taiwan foram consideradas “desconcertantes” pela Werbush, especializada em tecnologia, que alertou para o impacto negativo na demanda e nas cadeias de suprimentos. “Foi pior do que o pior cenário que se poderia imaginar com esse tarifaço.”
EUA
Os índices futuros da bolsa dos EUA enfrentam quedas significativas nesta quinta-feira (3), após o presidente Donald Trump anunciar, no dia anterior, tarifas comerciais mais elevadas do que o esperado. Isso aumentou as perspectivas de uma guerra comercial global, que poderia agravar ainda mais a já fragilizada economia norte-americana.
Na agenda desta quinta-feir (3), serão divulgados dados comerciais dos EUA, incluindo o índice ISM de serviços e os pedidos semanais de auxílio-desemprego, além dos discursos do vice-presidente do Fed, Philip Jefferson, e da governadora Lisa Cook.
Cotação dos índices futuros dos EUA:
Dow Jones Futuro: -2,38%
S&P 500 Futuro: -2,86%
Nasdaq Futuro: -3,11%
Bolsas asiáticas
As bolsas asiáticas encerraram a sessão de quinta-feira em território negativo, com exceção de Taiwan, no dia seguinte ao anúncio das tarifas elevadas que Trump impôs sobre as importações para os EUA.
A China e Taiwan foram as mais impactadas, com tarifas de 34% e 32%, respectivamente. O Nikkei liderou as perdas na Ásia, pressionado pelas quedas nas ações de empresas de chips e bancos.
Na China, o índice de Xangai teve uma leve queda, enquanto Shenzhen caiu com mais intensidade. Taiwan, por outro lado, registrou uma pequena alta.
Shanghai SE (China), -0,24%
Nikkei (Japão): -2,77%
Hang Seng Index (Hong Kong): -1,52%
Kospi (Coreia do Sul): -0,76%
ASX 200 (Austrália): -0,94%
Bolsas europeias
Os mercados europeus também operam em baixa, com as tarifas de Trump colocando em risco o crescimento econômico da região.
A taxação de 20% sobre a União Europeia representa uma escalada significativa na guerra comercial global de Trump, e ameaça minar boa parte da expansão da zona do euro prevista pelo Banco Central Europeu para este e o próximo ano.
Em resposta ao anúncio das tarifas, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a União Europeia está se preparando para adotar novas medidas contra os EUA, caso as negociações não avancem.
STOXX 600: -1,21%
DAX (Alemanha): -1,19%
FTSE 100 (Reino Unido): -1,01%
CAC 40 (França): -1,62%
FTSE MIB (Itália): -1,42%
Ibovespa: relembre a véspera
O Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, fechou a sessão da última quarta-feira (2) com alta de 0,03%, aos 131.190,34 pontos. O dólar comercial subiu 0,27%, a R$ 5,69.
O tarifaço de Donald Trump segue influenciando os mercados globais e o Ibovespa não ficou de fora, operando em baixa ao longo do pregão, mas conseguindo se recuperar levemente ao final, mantendo o nível dos 131 mil pontos conquistado na véspera.
Radar corporativo
Após o anúncio do BRB (Banco de Brasília) sobre um acordo para comprar 58% do Banco Master, a instituição iniciou um movimento de redução nas taxas de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) pré e pós-fixados. A operação de compra foi anunciada na sexta-feira (28).
Além disso, a XP e a 3A RIVA, assessoria de investimentos com mais de R$ 17 bilhões sob custódia, anunciaram um acordo societário, no qual a XP terá participação minoritária na empresa. Segundo comunicado, o negócio deve impulsionar o crescimento do escritório, que tem como meta mais que dobrar o tamanho de suas operações nos próximos três anos e alcançar R$ 35 bilhões sob custódia até 2027.
Agenda do dia
Indicadores
▪️ 04h00 – Turquia/Turkstat: CPI de março
▪️ 04h55 – Alemanha S&P: PMI composto e de serviços (mar)
▪️ 05h00 – Zona do euro S&P: PMI composto e de serviços (mar)
▪️ 05h30 – Reino Unido/S&P: PMI composto e de serviços (mar)
▪️ 06h00 – Zona do euro/Eurostat: PPI de fevereiro
▪️ 07h00 – França/OCDE: CPI de fevereiro
▪️ 09h30 – EUA/Deptº do Trabalho: pedidos de auxílio-desemprego
▪️ 09h30 – EUA/Deptº do Comércio: balança de fevereiro
▪️ 10h00 – Brasil/S&P Global: PMI composto e de serviços (mar)
▪️ 10h45 – EUA/S&P Global: PMI composto e de serviços (mar)
▪️ 11h00 – EUA/ISM: PMI de serviços de março
▪️ 11h00 – Fenabrave: Emplacamentos de veículos de março
Eventos
▪️ 08h30 – Zona do euro: BCE divulga ata da última decisão monetária
▪️ 10h00 – Lula e ministros participam de evento no Planalto sobre entregas do governo nos dois primeiros anos de mandato
▪️ 13h30 – EUA/Fed: Philip Jefferson discursa em conferência
▪️ 15h30 – EUA/Fed: Lisa Cook discursa na Universidade de Pittsburgh