Pré-mercado

Café com BPM:  bolsas globais recuam à espera do Payroll e Powell

Os investidores aumentam as expectativas de cortes mais agressivos na taxa de juros norte-americana

Foto: Freepik
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As bolsas globais registram queda no último pré-mercado da semana, em mais um dia de movimentação intensa nos mercados internacionais, com o payroll dos EUA e declarações de dois membros do Fed, incluindo Jerome Powell.

Esse cenário ocorre em meio a uma agenda de peso, enquanto investidores aumentam as expectativas de cortes mais agressivos na taxa de juros norte-americana, após as tarifas impostas por Trump.

Em relação ao impacto do “Liberation Day”, que afetou negativamente Wall Street, os mercados asiáticos e europeus aguardam as respostas dos países mais afetados, o que pode intensificar a guerra comercial.

No Brasil, os ativos se beneficiaram da visão de que a crise global poderia trazer vantagens ao país, o que ajudou a sustentar o Ibovespa e provocou quedas no dólar e nos juros futuros.

Entre os dados econômicos nacionais, a atenção se volta para a divulgação da balança comercial de março, prevista para às 15h.

Na semana passada, a queda nas exportações gerou um alerta e justificou o déficit nas transações correntes. A previsão para o fechamento do mês é de um superávit de US$ 7,2 bilhões, conforme a mediana das estimativas da pesquisa Broadcast.

Em relação ao payroll, a expectativa dos analistas é de que sejam criados 137 mil novos postos de trabalho em março, o que representa uma desaceleração em comparação aos 151 mil de fevereiro. A taxa de desemprego deve permanecer estável em 4,1%, assim como o aumento médio da remuneração por hora, que deve se manter em 0,3%.

Às 12h25, Jerome Powell fará uma fala que é esperada para ser mais cautelosa, em contraste com a entrevista otimista do FOMC, na qual ele havia defendido a ideia de que a inflação impulsionada pelas tarifas de Trump teria um caráter “temporário”.

EUA

Os índices futuros dos EUA registram queda nesta sexta-feira (4), após o anúncio do plano tarifário do presidente Donald Trump, que resultou na maior retração nos mercados acionários americanos em cinco anos.

Em meio ao aumento das tensões comerciais globais, à expectativa pelo relatório mensal de empregos (payroll) e ao discurso aguardado de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, os investidores estão demonstrando aversão ao risco e adotando uma postura mais cautelosa.

A previsão é de que os dados do payroll mostrem a criação de 135 mil empregos nos EUA, uma desaceleração em relação aos 151 mil de fevereiro.

Cotação dos índices futuros dos EUA:

Dow Jones Futuro: -0,79%

S&P 500 Futuro: -0,51%

Nasdaq Futuro: -0,17%

Bolsas asiáticas

Na Ásia, as bolsas sofreram fortes perdas após os retrocessos observados em Nova York, impulsionados pelo temor de uma recessão nos EUA, alimentado pelas tarifas anunciadas por Trump na quarta-feira.

O índice Nikkei atingiu o menor patamar desde agosto do ano passado, refletindo as incertezas sobre o crescimento global e os possíveis impactos no rumo da taxa de juros do Banco do Japão.

Os setores de chips e finanças foram os mais afetados. Na China, Hong Kong e Taiwan, os mercados estiveram fechados devido a feriados.

Shanghai SE (China), fechado por feriado

Nikkei (Japão): -2,75%

Hang Seng Index (Hong Kong): fechado por feriado

Kospi (Coreia do Sul): -0,86%

ASX 200 (Austrália): -2,44%

Bolsas europeias

Na Europa, os mercados ampliam as perdas da véspera, com os investidores ainda digerindo os impactos das tarifas dos EUA anunciadas nesta semana.

Em resposta, a União Europeia afirmou que tomará medidas retaliatórias contra os Estados Unidos caso as negociações não avancem.

O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu que as empresas do país suspendam seus investimentos planejados nos EUA. Por sua vez, o ministro interino da Economia da Alemanha, Robert Habeck, declarou que Trump cederia à pressão se a Europa apresentasse uma resposta unificada.

STOXX 600: -1,64%

DAX (Alemanha): -1,74%

FTSE 100 (Reino Unido): -1,25%

CAC 40 (França): -1,27%

FTSE MIB (Itália): -3,17% 

Ibovespa: relembre a véspera

Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, fechou a sessão da última quinta-feira (03) com baixa de 0,04%, aos 131.140,65 pontos. O dólar comercial caiu 1,23%, a R$ 5,62, o menor patamar desdo o início de outubro.

No “day after” ao anúncio das tarifas adicionais aos parceiros comerciais dos EUA pelo presidente Donald Trump, o Ibovespa operou de lado, tentando manter o patamar conquistado nas sessões anteriores. O índice se apoiou no recuo dos juros futuros, com avanço de ações dos bancos tradicionais e das varejistas, para conter perdas mais fortes.

Radar corporativo

CVM (Comissão de Valores Mobiliários) comunicou nesta quinta-feira (3) ter emitido uma “stop order” (ordem de suspensão imediata) às negociações do Eike Token ($EIKE). A autarquia suspendeu ainda a atuação dos nomes e empresas referentes à emissão do ativo digital, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.

Enquanto isso, lá fora, as ações das big techs estão vivendo um mau momento na Bolsa de Nova York um dia após o anúncio das novas medidas tarifárias de Donald Trump. As ações da Apple (AAPL), por exemplo, negociadas derretem 9,72%, enquanto a Meta (META) – dona do Facebook – tomba 8,72%, por volta das 16h30 (horário de Brasília).

Agenda do dia

▪️ 03h00 – Alemanha/Destatis: Encomendas à indústria (fev)

▪️ 08h00 – FGV: IGPI-DI e índice de Variação de Aluguéis (mar)

▪️ 09h30 – EUA/Dept°. do Trabalho: Payroll de março

▪️ 14h00 – EUA/Baker Hughes: poços e plataformas em operação

▪️ 15h00 – Mdic: Balança comercial de março

Eventos

▪️ 12h25 – EUA/Fed: Jerome Powell discursa em conferência

▪️ 13h00 – EUA/Fed: Michael Barr discursa em evento

▪️ 13h45 – EUA/Fed: Christopher Waller participa de conferência