
A quarta-feira (7) começa com o mercado global ajustando posições. Investidores aguardam os dados de emprego dos EUA, que servem como referência para as próximas decisões do Federal Reserve (Fed).
Após recordes recentes em Wall Street e na Europa, investidores reduziram a exposição a risco. Enquanto isso, eles aguardam a pesquisa JOLTS e o relatório de empregos do setor privado da ADP. Isso porque, eles sindicadores que antecedem o payroll de sexta-feira e ajudam a calibrar as apostas para cortes de juros ao longo do ano.
Mercados da Ásia ajustam posições após rali no Ocidente
Na Ásia-Pacífico, o fechamento foi, em sua maioria, negativo. O Nikkei caiu 1,06% e o Hang Seng recuou 0,94%, enquanto Xangai avançou 0,05% e o ASX 200 subiu 0,15%. O desempenho refletiu tanto a cautela com a agenda de emprego nos EUA quanto o impacto de uma crise diplomática entre Japão e China.
Pequim proibiu a exportação de itens com potencial uso militar, decisão que autoridades japonesas classificaram como “inaceitável”. A declaração adiciona um componente político ao humor dos mercados regionais.
Wall Street aguarda dados e futuros operam próximos da estabilidade
Com os principais índices norte-americanos vindo de máximas, os índices futuros dos EUA operaram perto da estabilidade: Dow Jones Futuro (+0,03%), S&P 500 Futuro (-0,16%) e Nasdaq Futuro (-0,35%).
A leitura predominante é que qualquer surpresa nos números de emprego pode alterar a precificação atual, que embute mais dois cortes de juros pelo Fed ao longo de 2026. Até lá, a estratégia é de espera.
Petróleo reage a Venezuela e amplia o debate geopolítico
No mercado de energia, o petróleo entrou no foco após declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre um plano para refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano que estavam bloqueados por embargo.
A notícia aumentou a percepção de oferta e pressionou as cotações. Em paralelo, a Casa Branca informou que Trump discute opções para adquirir a Groenlândia, inclusive por meio de ação militar, o que adiciona uma nova camada geopolítica ao cenário observado pelos investidores.
Bitcoin acompanha cautela global e espera gatilhos macro
O Bitcoin refletiu o ambiente de cautela e operou em leve queda, próximo de US$ 92.500.
“O ambiente de dólar firme e a espera pelos dados de emprego dos EUA tende a limitar o apetite por ativos de risco no curto prazo”, afirmou André Franco, CEO (diretor-presidente) da Boost Research.
Segundo ele, a expectativa imediata é de oscilação lateral, enquanto o mercado aguarda sinais mais claros sobre a trajetória de juros nos EUA.
Brasil entra no radar via câmbio e fluxo estrangeiro
Embora o noticiário do dia seja dominado pelo exterior, o Brasil não fica imune. A agenda local traz, às 14h30 (de Brasília), a divulgação do fluxo cambial estrangeiro, dado acompanhado de perto por investidores em um contexto de dólar sensível às expectativas sobre juros nos EUA. Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpre agenda em Brasília, em meio ao pano de fundo regional envolvendo a Venezuela, fator observado pelo mercado por seus possíveis desdobramentos diplomáticos e comerciais.
Agenda do dia
- 10h15 (de Brasília) — EUA: Variação de Empregos Privados ADP
- 12h00 (de Brasília) — EUA: Ofertas de Emprego JOLTS
- 12h30 (de Brasília) — EUA: Estoques de Petróleo Bruto
- 14h30 (de Brasília) — Brasil: Fluxo cambial estrangeiro
No conjunto, o dia resume um mercado em compasso de espera, no qual dados de emprego dos EUA funcionam como o principal guia para bolsas, moedas, commodities e criptoativos, com reflexos diretos também no Brasil.