Ibovespa
Foto: Canva/Ibovespa

A semana começa com o mercado atento a uma agenda carregada de indicadores de atividade e inflação, no Brasil e no exterior, enquanto ativos globais operam em zonas técnicas sensíveis. A combinação de dados macroeconômicos e ruídos institucionais deve definir se o mercado retoma movimentos direcionais ou prolonga a fase de consolidação.

Os investidores acompanham a Pesquisa Mensal de Serviços de novembro, com expectativa de alta de 0,1%, além das vendas no varejo e do IBC-Br. No campo inflacionário, o IGP-10 de janeiro deve subir 0,20%, levando a taxa acumulada em 12 meses para -1,1%.

O cenário político, o recesso parlamentar mantém a atividade legislativa limitada em Brasília, mas o retorno do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tende a recolocar temas econômicos no centro do Executivo. Também há expectativa pela nomeação de um novo ministro da Justiça e Segurança Pública.

EUA: Fed no centro das atenções após investigação contra Powell

No exterior, o foco se volta para os indicadores dos EUA, com destaque para o CPI de dezembro, além do PPI, das vendas no varejo e da produção industrial.

O humor do mercado, porém, foi impactado por uma nova fonte de incerteza: o Departamento de Justiça dos EUA abriu uma investigação criminal contra o presidente do Fed, Jerome Powell. Em vídeo incomum, Powell disse que a investigação sobre custos de reformas do Fed é uma tentativa de interferência política do governo Trump.

Segundo Powell, “a questão central é saber se o Fed continuará definindo os juros com base em evidências econômicas ou sob pressão política”. O mandato do chair termina em maio.

Com isso, os índices futuros de Nova York operam em queda:

  • Dow Jones Futuro: -0,72%
  • S&P 500 Futuro: -0,65%
  • Nasdaq Futuro: -0,87%

Os juros futuros dos EUA passaram a precificar cerca de 3 pontos-base extras de cortes no ano, refletindo risco institucional percebido pelo mercado.

Brasil: Ibovespa perto da máxima e dólar sob pressão

Do ponto de vista técnico, o Ibovespa mantém a tendência de alta preservada, mesmo após entrar em movimento lateral nas últimas sessões. O índice fechou a última sexta-feira em alta de 0,27%, aos 163.370 pontos, acumulando ganho semanal de 1,76%, e segue próximo da máxima histórica em 165.035 pontos.

O IFR (14) está em 61,82, em zona neutra, indicando espaço para continuidade do movimento comprador. Mas, para ganhar novo fôlego, o índice precisa superar a região de 163.660/164.263 pontos e, principalmente, romper a máxima histórica. Se isso ocorrer, os próximos alvos técnicos estão em 165.170, 167.685, 170.000 e, em extensão, 171.750 pontos.

No cenário alternativo, uma perda da região de 161.869/160.455 pontos pode abrir espaço para uma correção mais consistente, com alvos em 157.300/155.180 pontos. Suportes mais longos aparecem em 153.570 e 150.760 pontos.

Dólar futuro mantém viés negativo

No dólar futuro, a leitura segue de viés negativo no curto prazo, com o contrato negociando abaixo das médias móveis e mostrando dificuldade de reação mais consistente. Além disso, o IFR (14) marca 42,75, ainda em zona neutra, mas com predominância de fluxo vendedor.

Agenda que pode mexer com o mercado hoje

  • 08h: IGP-M (1º decêndio de janeiro) – FGV
  • 08h25: Boletim Focus – Banco Central
  • 15h: Balança comercial (1ª semana de janeiro) – Secex
  • EUA: discursos de dirigentes do Fed (Bostic, Barkin, Williams)
  • EUA: leilões de Treasuries de 3 e 10 anos

No cenário doméstico, destaque para a agenda do Gabriel Galípolo, que se reúne à tarde com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, em meio às discussões envolvendo a liquidação do Banco Master.