
A sessão desta terça-feira começa com os investidores atentos a uma agenda intensa de indicadores de atividade ao redor do mundo, enquanto, no Brasil, o principal foco recai sobre a balança comercial, que tende a orientar a leitura do mercado sobre o setor externo e o comportamento do câmbio ao longo do dia.
No cenário doméstico, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços divulga à tarde os dados da balança comercial de dezembro, oferecendo um retrato do desempenho de exportações e importações no fechamento do ano. O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin participa de coletiva para comentar os números. Mais cedo, o IPC da Fipe de dezembro ajuda a calibrar as expectativas sobre a inflação ao consumidor na cidade de São Paulo.
PMIs dominam a agenda
No exterior, os holofotes se voltam para os PMIs compostos finais de dezembro, divulgados ao longo do dia na Alemanha, zona do euro, Reino Unido, Estados Unidos e Japão. Ainda na Europa, o CPI preliminar da Alemanha adiciona informações relevantes sobre a dinâmica de preços na maior economia do bloco.
Nos Estados Unidos, além do PMI composto final, investidores acompanham o discurso de Tom Barkin, presidente do Fed de Richmond, que deve comentar projeções econômicas e perspectivas para 2026.
Mercados: Ibovespa reagiu bem, petróleo segue sensível
Na véspera, o Ibovespa, principal índice da B3, fechou em alta firme, puxado principalmente por ações do setor financeiro e em linha com o maior apetite ao risco no exterior. O mercado, no entanto, segue monitorando os desdobramentos do ataque dos EUA que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
Os preços do petróleo avançaram cerca de US$ 1 por barril na segunda-feira, com operadores avaliando possíveis impactos sobre os fluxos da Venezuela, país que abriga as maiores reservas da commodity no mundo. Apesar da alta recente, o mercado ainda trabalha com cautela diante do excesso de oferta global.
Venezuela em transição
Nesta segunda-feira (5), Delcy Rodríguez foi empossada como presidente interina da Venezuela. No mesmo dia, Maduro compareceu a uma audiência em Nova York, onde se declarou inocente em um processo que envolve acusações relacionadas a narcotráfico. O juiz Alvin K. Hellerstein determinou novo comparecimento do ex-presidente a um tribunal federal dos EUA em 17 de março.
A defesa de Maduro afirmou haver “questionamentos sobre a legalidade” da captura, classificada como uma “abdução militar”. Paralelamente, a primeira reunião extraordinária de 2026 do Conselho de Segurança da ONU, convocada para discutir o ataque dos EUA à Venezuela, terminou sem consenso entre os membros.
Petróleo, Trump e diplomacia regional
O governo do presidente Donald Trump planeja se reunir ainda nesta semana com executivos de empresas petrolíferas norte-americanas para discutir o aumento da produção venezuelana. O movimento é visto como estratégico para viabilizar o retorno de grandes companhias dos EUA ao país sul-americano após quase duas décadas de controle estatal do setor de energia.
No campo diplomático, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou no sábado com Delcy Rodríguez para confirmar informações sobre os ataques e a captura de Maduro, segundo o Palácio do Planalto. A conversa foi breve e teve caráter informativo.
Política e corporativo
No noticiário político, Carlos Bolsonaro afirmou que foi impedido de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, nesta segunda-feira (5). Segundo ele, a Polícia Federal informou que as visitas estão restritas a dias e horários definidos por decisão do ministro Alexandre de Moraes.
No radar corporativo, o PicPay protocolou pedido de IPO na Nasdaq, nos Estados Unidos. A fintech pretende listar suas ações sob o código PICS, com Citigroup, BofA e RBC Capital como coordenadores globais da oferta.
Agenda do dia
Brasil
- 10h00- PMI de Serviços
- 15h00- Balança Comercial (previsão: +US$ 6,694 bilhões)
Estados Unidos
- 11h45- PMI de Serviços (final)
- 18h30- Estoques de Petróleo (API)
Zona do Euro
- 06h00- PMI de Serviços (final)