
Os mercados globais iniciam esta sexta-feira (9) em modo de espera, com investidores atentos ao relatório de empregos dos EUA (payroll), que deve ditar o humor dos ativos ao longo do dia. Além disso, no Brasil, o foco se divide entre o IPCA de dezembro, o noticiário político em Brasília e o desempenho das commodities.
Exterior: payroll no centro das atenções
Os índices futuros dos EUA operam próximos da estabilidade, refletindo cautela antes da divulgação do payroll de dezembro. Pois, o consenso do mercado aponta para a criação de 60 mil vagas e queda da taxa de desemprego para 4,5%.
O dado é considerado crucial para calibrar as expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve (FED), que tem no mercado de trabalho um dos principais vetores para a decisão sobre juros. Atualmente, investidores projetam dois cortes de juros ao longo de 2026.
Além disso, cresce a atenção para uma possível decisão da Suprema Corte dos EUA sobre a legalidade das tarifas impostas durante o governo Donald Trump, o que pode abrir espaço para disputas bilionárias de reembolso e gerar ruídos no comércio internacional.
Mercados futuros (EUA):
- Dow Jones Futuro: -0,02%
- S&P 500 Futuro: -0,01%
- Nasdaq Futuro: +0,02%
Ásia-Pacífico: inflação chinesa no radar
As bolsas da Ásia-Pacífico fecharam sem direção única, com investidores analisando os dados de inflação da China referentes a dezembro.
No noticiário corporativo, as ações da Rio Tinto recuaram 5% após a empresa confirmar negociações para uma possível aquisição da Glencore. Além disso, Caso o negócio avance, poderá resultar na maior mineradora do mundo, com valor de mercado combinado próximo de US$ 207 bilhões.
Fechamento dos mercados asiáticos:
- Shanghai (China): +0,92%
- Nikkei (Japão): +1,61%
- Hang Seng (Hong Kong): +0,32%
- Nifty 50 (Índia): -0,74%
- ASX 200 (Austrália): -0,03%
Europa: defesa sustenta ganhos
As bolsas europeias operam em alta, após as quedas da sessão anterior. Então, o destaque segue sendo o setor de defesa, que acumula ganhos pelo quinto dia consecutivo, impulsionado pelos apelos de Trump por um aumento nos gastos militares dos EUA e pela retórica envolvendo a Groenlândia.
A possibilidade de uma ação mais agressiva de Washington sobre o território, hoje sob responsabilidade da Dinamarca, gera desconforto diplomático e levanta questionamentos sobre a própria OTAN.
Europa:
- STOXX 600: +0,41%
- DAX (Alemanha): +0,02%
- FTSE 100 (Reino Unido): +0,24%
- CAC 40 (França): +0,67%
- FTSE MIB (Itália): +0,17%
Commodities: petróleo sobe, minério recua
O petróleo opera em alta, sustentado pelas tensões geopolíticas, especialmente as ameaças de Trump ao Irã e as medidas dos EUA para ampliar o controle sobre o setor energético da Venezuela.
Já o minério de ferro fechou em queda pelo segundo dia consecutivo na China, pressionado pelo aumento dos estoques portuários, apesar de ainda acumular ganho na semana.
- Petróleo WTI: +0,83%, a US$ 58,24
- Petróleo Brent: +0,84%, a US$ 62,51
- Minério de ferro (Dalian): -0,73%, a 814,5 iuanes (US$ 116,63)
Brasil: IPCA e política no foco
Após a correção do dia anterior, o Ibovespa retomou a região dos 162 mil pontos e fechou a quinta-feira em alta de 0,59%, aos 162.936,48 pontos, acumulando:
- +1,49% na semana
- +1,12% no mês e no ano
O principal dado do dia será o IPCA de dezembro, com expectativa de alta mensal de 0,35% e inflação anual de 4,30%, abaixo do teto da meta, reforçando o processo de desaceleração dos preços.
Em Brasília, o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao PL da Dosimetria segue no radar. Caberá agora ao Congresso decidir se mantém ou derruba o veto, o que exige 257 votos na Câmara e 41 no Senado.
No cenário externo, autoridades europeias discutem o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, com resistência liderada pela França.
O que vai mexer com o mercado hoje
Brasil
- 09h00 – IPCA (dezembro)
- Mensal: +0,35%
- Anual: +4,30%
- 09h00 – Relatório de poupança (BC)
- 08h00 – IPC-S Capitais (FGV)
EUA
- 10h30 – Payroll (dezembro)
- Vagas: +60 mil
- Desemprego: 4,5%
- 10h30 – Início de construções
- 12h00 – Confiança do consumidor (Universidade de Michigan)
- Discursos de dirigentes do Fed ao longo do dia