
O aumento nos preços do café, que já chega ao patamar de R$ 50,00 o quilo nos supermercados, chamou a atenção do consumidor brasileiro para outras opções. Entre elas estão o “café fake” — produto que imita o café tradicional, mas não contém grãos de Coffea em sua composição — e o café solúvel.
Os preços do café podem subir até 25% nos próximos meses, segundo a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café). Em 2024, o café tradicional fechou a R$ 48,90, alta de 39% em relação a 2023. A escalada dos preços desde 2020 é impulsionada por problemas climáticos, crescimento da demanda global e fatores geopolíticos.
Apesar de atraentes pelo preço mais baixo, os cafés fakes são vistos como ilegais. Segundo a Abic, esses produtos contêm impurezas e misturas de vegetais como cevada e milho, sem passar por certificação de pureza. A legislação brasileira determina que apenas bebidas feitas exclusivamente com grãos de café podem ser vendidas como tal.
“É um produto fraudulento que não passou por nenhuma certificação de pureza e qualidade e que não respeita a legislação do Ministério da Agricultura. Não há garantia sobre a sua composição, não é um alimento seguro. É uma enganação ao bolso e até mesmo um perigo à saúde do consumidor”, diz Celírio Inácio, diretor-executivo da Abic, de acordo com a Exame.
Café: alta leva a quebra de contratos em MG e preocupa mercado
A forte alta dos preços do café está levando a quebra de contratos e prejuízos a comerciantes que fecharam contratos futuros de venda do grão nos últimos meses, esperando uma queda nos preços. Segundo informações do “Globo Rural”, pelo menos quatro empresas de Minas Gerais tiveram problemas relacionados à questão.
Os casos ainda são pontuais, mas geram temores. As empresas que relataram problemas foram a Atlântica e Cafebras, do grupo Montesanto Tavares, a Central do Café e a Coocem Cooperativa Central de Muzambinho. Elas fecharam contratos futuros sem possuir o grão, na expectativa de uma queda nos preços antes da entrega.
Porém, ainda não houve queda nesses valores, tanto nas bolsas internacionais quanto no Brasil. Dessa forma, as empresas perderam fluxo de caixa e tiveram prejuízos, além de terem quebrado contratos. Também houve produtores que entregaram café nos armazéns dos comerciantes esperando o pagamento, mas não receberam.