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Dólar abaixo de R$ 6: como se beneficiar a curto prazo? 

A moeda norte-americana encontra-se no patamar registrado pela última vez em novembro de 2024

Foto: Unsplash
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Com o dólar recentemente abaixo de R$ 6, tocando o patamar registrado pela última vez em novembro de 2024, a R$ 5,88, o mercado tem atraído atenção tanto de investidores experientes quanto de iniciantes.

Em meio a leitura do cenário macroeconômico carregada de incertezas, especialistas ouvidos pelo BP Money avaliam que a queda do dólar oferece uma gama de oportunidades, mas é necessário agir com cautela, já que os fatores econômicos e políticos podem mudar rapidamente. 

A volatilidade no câmbio, somada às dinâmicas internas e externas, pode influenciar diretamente essas oportunidades, e os investidores precisam estar preparados para ajustar suas estratégias conforme o cenário evolui. 

Elson Gusmão, diretor de operações da Ourominas, destaca que o impacto do dólar abaixo de R$ 6 dependerá da estratégia e do perfil de risco de cada investidor. Ele explica que, para aqueles dispostos a aproveitar o momento, há várias opções interessantes.

“Entre as oportunidades estão a compra de moeda estrangeira para guardar e esperar uma valorização futura, a aquisição de ativos em mercados internacionais e a importação de produtos a custos mais baixos”, afirma Gusmão.

O especialista também aponta que viagens internacionais podem se tornar mais acessíveis, já que o dólar mais barato pode representar uma economia substancial.

Para investidores com maior apetite por risco, os contratos futuros de dólar se apresentam como uma alternativa. 

Neste mercado, é possível operar apostando na alta ou queda do dólar, o que oferece grandes possibilidades de retorno, mas também com risco elevado.

Mini Dólar: investimentos para diferentes perfis

O Mini Dólar é um instrumento financeiro negociado na B3 (Bolsa de Valores Brasileira) que reflete a oscilação da taxa de câmbio entre o Real (BRL) e o Dólar americano (USD).

Trata-se de uma versão reduzida do contrato futuro tradicional de Dólar, permitindo que investidores com diferentes capacidades financeiras participem do mercado cambial.

Esse contrato tem se popularizado, principalmente, entre aqueles que buscam especular sobre a valorização ou desvalorização do Dólar ou se proteger contra flutuações cambiais. A cada ponto de variação do Mini Dólar, o investidor pode ganhar ou perder R$ 10,00, o que o torna acessível para quem quer operar com volumes menores.

Além disso, o Mini Dólar segue as características de outros contratos futuros, com vencimentos definidos e a exigência de um depósito inicial, conhecido como margem de garantia, para que as operações sejam realizadas.

Impacto dos fatores internos e externos

Sidney Lima, analista CNPI da Ouro Preto Investimentos, ressalta que a recente queda do dólar se deve a uma combinação de fatores. No Brasil, ele observa que a confiança dos investidores tem melhorado, especialmente após as medidas internas de contenção de gastos. 

Internacionalmente, a expectativa de uma postura fiscal mais branda por parte do governo dos EUA tem contribuído para fortalecer o real.

“Além disso, a queda inesperada nos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA também ajudou a sustentar o real frente ao dólar”, comenta Lima.

No entanto, o analista é cauteloso sobre a continuidade dessa tendência. Ele acredita que a situação fiscal brasileira e a instabilidade política ainda representam riscos que podem afetar a moeda brasileira. 

“Apesar do alívio recente, a volatilidade no câmbio pode continuar, refletindo as incertezas políticas e econômicas, tanto no Brasil quanto no exterior”, afirma Lima.

Desafios fiscais 

Para Volnei Eyng, CEO da gestora Multiplike, a queda do dólar é uma correção natural após o mercado ter precificado riscos de forma exagerada. Eyng acredita que, se o Brasil avançar com as reformas fiscais e o governo se comprometer com um controle mais rigoroso dos gastos, o dólar poderá continuar sua trajetória de queda.

“O Brasil precisa apresentar uma comunicação clara sobre seu compromisso fiscal. Caso contrário, o dólar pode voltar a subir. A postura do governo dos EUA também será crucial, especialmente com a política comercial de Trump, que tem gerado incertezas”, aponta Eyng.

Ele ainda prevê que, se a moeda americana voltar a um patamar de R$ 5,50, como foi visto em setembro de 2024, será necessário um compromisso firme do Brasil com a redução de sua dívida pública e a transparência fiscal.

Queda do dólar reflete mudança de tom de Trump

Douglas Ferreira, diretor da mesa de câmbio da Planner Investimentos, também analisa como o contexto internacional tem influenciado o câmbio. A recente queda do dólar foi parcialmente causada por uma mudança na postura do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação à China. 

Segundo Ferreira, o mercado reagiu positivamente às declarações de Trump, que demonstrou interesse em dialogar com o presidente chinês, Xi Jinping, sobre um possível acordo comercial.

“O mercado interpretou essas declarações de forma otimista, especialmente considerando que Trump anunciou que iria focar em taxar as importações da China, mas com um tom menos agressivo em relação ao que se imaginava”, explica Ferreira.

Ele acredita que, com essa mudança na política dos EUA, o fluxo de recursos para mercados emergentes, como o Brasil, se intensificou, contribuindo para a queda do dólar.

Contudo, Ferreira adverte que o cenário continua incerto, especialmente devido aos desafios fiscais internos do Brasil.

“É difícil afirmar que o dólar abaixo de R$ 6 veio para ficar. O Brasil ainda enfrenta desafios fiscais e, se essas questões não forem resolvidas de forma eficaz, o real poderá sofrer pressão”, conclui o especialista.