Foto: Freepik
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Após anos de avanços técnicos e regulatórios, o mercado de criptoativos se aproxima de um ponto de inflexão. Em 2026, bancos, empresas e grandes instituições tendem a sair da fase de testes. Com isso, projetos-piloto dão lugar a operações em escala, integrando a blockchain ao sistema financeiro tradicional.

Nesse contexto, a maior previsibilidade regulatória e a infraestrutura mais robusta ampliam a confiança institucional. Como resultado, cresce a adoção de stablecoins, ativos onchain, custódia cripto e automação com inteligência artificial (IA), frentes que sustentam a chamada Internet de Valor, em que o dinheiro circula com a velocidade da informação.

Stablecoins avançam como padrão de liquidação

As stablecoins caminham para se tornar a base da liquidação global. Em vez de competir com o sistema financeiro, elas passam a ser incorporadas às trilhas tradicionais de pagamento. Por exemplo, empresas como Visa e Stripe já avançaram nessa integração.

Nos Estados Unidos, a aprovação do Genius Act consolidou o avanço do dólar digital regulado. Stablecoins compatíveis com a regulação passam a operar 24 horas por dia, viabilizando pagamentos programáveis e novas formas de colateral financeiro.

Até 2027, a expectativa é que instituições explorem essas moedas para mobilidade de garantias em tempo real, sobretudo nos mercados de capitais. Ao mesmo tempo, o uso corporativo cresce de forma acelerada. Em 2025, pagamentos B2B com stablecoins alcançaram US$ 76 bilhões anualizados. Antes, no início de 2023, esse volume não superava US$ 100 milhões por mês.

Assim, fica claro que o principal motor da adoção está no B2B, e não no varejo.

Cripto entra no balanço das empresas

A exposição institucional evolui além do investimento financeiro. Segundo projeções, até o fim de 2026, balanços corporativos podem concentrar mais de US$ 1 trilhão em ativos digitais.

Cerca de metade das empresas da Fortune 500 deve adotar estratégias formais com criptoativos. Isso inclui tokenização, tesourarias digitais, stablecoins e títulos onchain. De acordo com pesquisa da Coinbase, 60% dessas empresas já trabalham ativamente com blockchain.

Mais de 200 companhias abertas mantêm bitcoin em suas estratégias de tesouraria. Além disso, o número de empresas focadas em ativos digitais saltou de quatro, em 2020, para mais de 200 em 2025.

Nos mercados de capitais, a tendência é que entre 5% e 10% das liquidações migrem para o ambiente onchain em 2026. Isso ocorre com o avanço da tokenização e da adoção institucional de stablecoins.

Custódia entra em fase de consolidação

Outro sinal de maturidade está na custódia. Em 2025, o volume de fusões e aquisições no setor cripto chegou a US$ 8,6 bilhões, impulsionado pela participação institucional.

A custódia se torna infraestrutura crítica. Consequentemente, provedores independentes buscam integração com plataformas maiores ou diversificação de serviços. Ao mesmo tempo, exigências regulatórias levam bancos a adotar múltiplos custodiantes, reduzindo riscos.

Como resultado, mais da metade dos 50 maiores bancos do mundo deve formalizar ao menos uma nova parceria de custódia em 2026.

Blockchain e IA convergem nas finanças

As transformações mais profundas não ocorrem isoladamente. Por isso, em 2026, blockchain e inteligência artificial tendem a convergir, automatizando operações financeiras hoje limitadas por processos manuais.

Com stablecoins e contratos inteligentes, tesourarias podem gerenciar liquidez, executar chamadas de margem e otimizar operações em tempo real. Além disso, gestores de ativos devem usar modelos de IA integrados à blockchain para rebalancear exposições a ativos tokenizados.

A privacidade, por sua vez, assume papel central. Provas de conhecimento zero permitem análises de risco sem exposição de dados sensíveis, reduzindo fricções e ampliando a adoção em ambientes regulados.

Um ano decisivo para o cripto institucional

O setor entra em 2026 mais maduro. Dessa vez, o impulso vem da integração estrutural ao sistema financeiro.

Stablecoins tendem a sustentar a liquidação global. Enquanto isso, ativos tokenizados passam a ocupar espaço nos balanços. A automação com IA promete ganhos expressivos de eficiência.

Em última instância, 2026 pode ser lembrado como o ano em que os criptoativos deixaram a periferia e passaram a integrar a infraestrutura central das finanças globais.