Veja o resumo da noticia

  • Queda acentuada no mercado de criptomoedas, com destaque para as perdas de ethereum e bitcoin, influenciada por vendas institucionais.
  • Executivo da Bitget interpreta a correção como típica do ciclo, diferenciando de um colapso estrutural, apesar das recentes quedas.
  • Saídas de ETFs spot de bitcoin nos EUA reduzem a liquidez e o apetite por risco, expondo o mercado a oscilações mais amplas.
  • Volatilidade crescente leva a liquidações em cascata devido à alavancagem, adicionando pressão vendedora e ampliando o impacto.
  • Aumento da correlação do bitcoin com ativos tradicionais, como Nasdaq 100, torna o ativo mais sensível a juros e Fed.
  • Correções fortes são comuns no histórico do bitcoin, com ciclos anteriores registrando quedas intensas antes de recuperações.
  • Visão de longo prazo e paciência são importantes, com o bitcoin oferecendo relação risco-retorno atrativa em certos níveis de preço.
Foto gerada por IA
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O mercado de criptomoedas cai forte nesta quinta-feira (5), com ethereum e bitcoin entre as maiores perdas do dia. Às 12h30 (de Brasília), o ETH negociava a US$ 1.935,42, queda de 10,06% em 24 horas, o maior tombo diário desde 10 de outubro de 2025. No mesmo horário, o BTC recuava 9,81%, a US$ 67.271, em um movimento puxado por vendas institucionais, liquidações, saídas de ETFs e mais incerteza macroeconômica, segundo Guilherme Prado, country manager da Bitget.

Para o executivo, o mercado atravessa uma correção típica do ciclo. “Na Bitget, vemos a recente queda do Bitcoin mais como uma fase de reajuste do mercado do que como um colapso estrutural”, afirmou.

ETFs e fluxo institucional drenam liquidez

Na leitura da Bitget, o comportamento do investidor institucional explica parte importante do recuo. Prado diz que ETFs spot de bitcoin nos EUA registram saídas desde outubro, o que reduz a liquidez e derruba o apetite por risco no curto prazo.

Quando o fluxo vira negativo, o mercado costuma ficar mais exposto. Assim, com menos demanda para absorver vendas, as oscilações ganham amplitude e aceleram.

Liquidações e alavancagem ampliam o tombo

Com a volatilidade em alta, o mercado encosta em níveis técnicos sensíveis. Segundo Prado, traders acompanham se novas perdas podem acelerar caso o preço perca suportes.

Além disso, a estrutura de derivativos tende a ampliar o movimento. Em quedas rápidas, a alavancagem estoura margens, posições são zeradas e liquidações entram em cascata, o que adiciona nova pressão vendedora.

Juros, Fed e correlação com bolsas pesam no risco

Outro fator que pesa, segundo Prado, é a maior conexão do bitcoin com ativos tradicionais. Ele afirma que o BTC aumentou a correlação com o Nasdaq 100 e com ações de crescimento. Por isso, o desempenho do ativo reage mais ao ambiente de juros e ao tom do Federal Reserve.

Mesmo com cortes no fim de 2025, ele diz que a comunicação do Fed permaneceu cautelosa, o que segurou o apetite por risco. Para a Bitget, essa dinâmica reforça a institucionalização do bitcoin: “reflete o fato de que o BTC foi incorporado como um ativo dentro do universo de investimentos institucionais”.

Correções já marcaram outros ciclos do bitcoin

No histórico do ativo, correções fortes aparecem com frequência. Prado lembra que ciclos anteriores registraram quedas intensas antes de novas recuperações. Ainda assim, ele ressalta que, no curto prazo, o mercado segue sensível a fluxo e macro.

“Para quem tem paciência e uma visão de longo prazo, o bitcoin continua sendo uma excelente opção de investimento”, disse. Segundo ele, em certos níveis de preço, o mercado pode oferecer uma relação risco-retorno mais atrativa para quem aceita volatilidade e trabalha com horizonte longo.