
Os mercados globais iniciaram a semana sob pressão. O movimento veio após o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar impor tarifas adicionais a oito países europeus, reacendendo a disputa em torno da Groenlândia. Como resultado, o cenário elevou a aversão ao risco e aumentou a volatilidade nos ativos financeiros.
Na Ásia, os mercados acionários recuaram. Ao mesmo tempo, os futuros dos índices americanos passaram a operar no vermelho. Além disso, os rendimentos dos Treasuries subiram, enquanto ativos de proteção, como o ouro, mantiveram desempenho firme.
Nesse contexto, o Bitcoin, negociado em torno de US$ 92,2 mil, passou a apresentar uma expectativa neutra a levemente negativa no curto prazo.
Segundo André Franco, o ambiente macroeconômico atual favorece movimentos mais defensivos. “Quando tensões comerciais ganham força, o mercado reduz exposição a ativos voláteis. Por isso, o Bitcoin tende a oscilar lateralmente ou passar por ajustes técnicos”, avalia.
Ainda assim, há fatores que ajudam a conter quedas mais acentuadas. De acordo com Franco, a fraqueza do dólar pode oferecer algum suporte aos criptoativos. “Embora não exista um catalisador positivo claro no momento, um dólar mais fraco costuma aliviar parte da pressão sobre o Bitcoin”, afirma.
Infraestrutura tradicional reforça tese estrutural do cripto
Apesar da cautela no preço, o noticiário estrutural segue construtivo. A Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) anunciou uma plataforma para negociação 24/7 de ações e ETFs tokenizados, baseada em tecnologia blockchain. A iniciativa representa um avanço relevante na integração entre o mercado tradicional e os ativos digitais.
Segundo André Franco, esse tipo de movimento fortalece a narrativa de longo prazo. “A aproximação entre Wall Street e blockchain cria uma base mais sólida para o setor. Mesmo com volatilidade no curto prazo, o fundamento estrutural melhora”, explica.
Ethereum mostra sinais de maturidade e equilíbrio técnico
Enquanto isso, a rede Ethereum registrou recorde de transações diárias, impulsionada pelo avanço das soluções de segunda camada e pela retomada do uso de protocolos DeFi. Além disso, a fila de saída do staking zerou, indicando menor pressão vendedora por parte dos validadores.
Esse comportamento sugere maior confiança dos investidores de longo prazo. Ao mesmo tempo, reforça a estabilidade do ecossistema após atualizações técnicas recentes.
Geopolítica amplia o papel estratégico dos ativos digitais
Por fim, o debate sobre criptoativos também ganhou força no campo geopolítico. O Banco Central da Índia propôs a interligação das moedas digitais oficiais (CBDCs) dos países do Brics, com foco em pagamentos transfronteiriços. A iniciativa busca reduzir a dependência do dólar e acelerar liquidações comerciais.
Assim, mesmo em um ambiente de curto prazo mais desafiador para preços, o pano de fundo estrutural do mercado cripto segue em evolução.