Creative Commons
Creative Commons

Nesta segunda-feira (19), o Bitcoin voltou a operar sob pressão e recuou para a região dos US$ 93 mil. O preço ficou abaixo de um nível técnico relevante, na faixa dos US$ 94.500.

O movimento ocorre em um ambiente de queda dos ativos de risco e maior busca por proteção. Isso aconteceu após o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar impor novas tarifas a países europeus e retomar declarações sobre a Groenlândia.

Como resultado, a aversão ao risco aumentou. Bolsas da Ásia e da Europa recuaram, enquanto ouro e prata renovaram máximas. Ao mesmo tempo, o petróleo caiu diante das incertezas sobre a demanda global.

Aversão ao risco reduz apetite por cripto no curto prazo

Para André Franco, o cenário global pressiona o Bitcoin no curto prazo. Segundo ele, a criptomoeda ainda reage como ativo de risco em momentos de estresse.

“A tensão comercial entre EUA e Europa reduz temporariamente o apetite por criptoativos. Por isso, o viés no curto prazo é neutro a levemente negativo”, afirma.

Ainda assim, Franco destaca que a fraqueza do dólar pode limitar quedas mais intensas. Além disso, o fluxo para ativos alternativos ajuda a sustentar movimentos laterais enquanto o mercado aguarda sinais macroeconômicos mais claros.

Liquidações reduzem excesso de alavancagem

A leitura técnica é reforçada por Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil. Ele avalia que o recuo reflete uma correção após um rali excessivamente alavancado.

O Bitcoin tentou se manter acima dos US$ 95 mil, mas não conseguiu. Como consequência, o mercado passou por um ajuste mais forte.

Nas últimas 24 horas, quase US$ 800 milhões em posições compradas foram liquidadas.

“Essas liquidações retiram o excesso de alavancagem e aliviam a pressão artificial sobre os preços”, explica Prado.

Suportes técnicos entram no radar

No curto prazo, os investidores observam os níveis de suporte. O Bitcoin precisa se manter acima de US$ 92.284, mínima recente dos últimos dias.

Caso o preço permaneça abaixo de US$ 91 mil, Prado avalia que o ativo pode testar a faixa entre US$ 88 mil e US$ 90 mil. Por outro lado, uma recuperação acima de US$ 95 mil indicaria defesa dos níveis atuais e reabriria espaço para uma nova tentativa de alta.

Ethereum e uso real reforçam maturidade do mercado

Apesar da volatilidade do Bitcoin, outros dados do setor seguem positivos. A rede Ethereum registra aumento no número de novos usuários, impulsionado pelas soluções de Layer 2, que reduziram custos e melhoraram a experiência.

Além disso, o uso de stablecoins em pagamentos do dia a dia cresce de forma consistente. Relatórios mostram que os gastos com cartões cripto já somam US$ 18 bilhões em volume anualizado.

Integração com Wall Street sustenta visão estrutural

No médio e longo prazo, a visão segue construtiva. Relatório recente da Fidelity Digital Assets aponta que os ativos digitais avançam como parte estrutural do sistema financeiro global.

Para André Franco, esse processo ajuda a explicar por que o Bitcoin encontra suporte mesmo em momentos de correção.

“A convergência entre blockchain e finanças tradicionais tende a sustentar o mercado ao longo do tempo”, conclui.