Veja o resumo da noticia
- Bitcoin pressionado pela aversão ao risco global, queda nas bolsas, valorização do dólar e alta dos rendimentos dos Treasuries.
- Expectativa de Kevin Warsh no Federal Reserve impacta mercados, com investidores recalibrando apostas sobre liquidez futura.
- Reposicionamento atinge ativos sensíveis ao ciclo monetário, como criptomoedas, ações globais, ouro e prata.
- Dólar forte e juros altos pressionam o Bitcoin, que depende de liquidez abundante e apetite por risco.
- Especialista aponta que especulação sobre Fed menos estimulador reduz liquidez, pressionando ativos de risco.
- Curto prazo é negativo para o Bitcoin, mas projeto de lei e discurso favorável de SEC/CFTC indicam avanço estrutural.
- Mercado cripto deve observar confirmação do chair do Fed, juros americanos, direção do dólar e política monetária.

O Bitcoin iniciou esta quinta-feira (30) pressionado pelo forte movimento de aversão ao risco nos mercados globais. A criptomoeda recuou para a faixa dos US$ 83 mil, acompanhando a queda generalizada das bolsas internacionais, a valorização do dólar e a alta dos rendimentos dos Treasuries.
O gatilho do movimento foi a crescente expectativa de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anuncie Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve. Warsh é visto pelo mercado como um nome menos inclinado a estímulos monetários agressivos, o que levou investidores a recalibrar rapidamente as apostas sobre liquidez futura.
Esse reposicionamento atingiu em cheio os ativos mais sensíveis ao ciclo monetário. Além das criptomoedas, ações globais despencaram, enquanto ouro, prata e outros ativos de proteção também sofreram perdas, indicando um movimento amplo de redução de risco.
Dólar forte e juros mais altos pressionam o BTC
Com a perspectiva de uma política monetária mais restritiva nos EUA, o dólar ganhou força e os rendimentos dos títulos americanos avançaram. Esse ambiente costuma ser negativo para o Bitcoin, que depende de liquidez abundante e apetite por risco para sustentar movimentos de alta.
Segundo André Franco, CEO da Boost Research, o comportamento do BTC reflete esse ajuste macro:
“A especulação em torno de um Fed menos disposto a estimular a economia reduz a liquidez global. Isso naturalmente pressiona ativos de risco, como ações e criptomoedas, levando o Bitcoin a um movimento de correção técnica no curto prazo.”
Na avaliação do especialista, o cenário atual favorece saídas táticas de posições mais voláteis, enquanto investidores aguardam maior clareza sobre a condução da política monetária americana.
Curto prazo segue negativo, apesar de avanços estruturais
No curto prazo, a expectativa para o Bitcoin permanece negativa a cautelosa, com risco de novas oscilações ou manutenção em território de correção enquanto o mercado digere o novo ambiente macro.
Ainda assim, o pano de fundo estrutural do setor cripto segue construtivo. Nos Estados Unidos, um projeto de lei abrangente para regulação de criptoativos avançou no Senado, com apoio bipartidário, sinalizando maior segurança jurídica para o setor. Além disso, SEC e CFTC passaram a adotar um discurso mais favorável à integração institucional dos ativos digitais, abrindo espaço para entrada de capital de longo prazo.
Apesar desses avanços, André Franco destaca que, no momento, o macro pesa mais:
“Os fundamentos regulatórios melhoraram muito, mas no curtíssimo prazo o mercado responde primeiro à liquidez. Enquanto o dólar estiver forte e os juros pressionados, o Bitcoin tende a enfrentar dificuldade para retomar uma tendência clara de alta.”
O que observar daqui para frente
Para o mercado cripto, os próximos dias devem ser guiados por:
- confirmação oficial do novo chair do Fed;
- comportamento dos juros americanos;
- direção do dólar global;
- e sinais mais claros sobre a trajetória da política monetária.
Até lá, o Bitcoin deve seguir volátil, com viés defensivo e movimentos mais técnicos do que direcionais.