
O Bitcoin voltou a se aproximar da região dos US$ 94 mil, acompanhando a melhora do apetite por risco em Wall Street no início da semana e fatores sazonais que costumam favorecer o mercado neste período do ano. O movimento ocorreu mesmo após a divulgação de dados econômicos mais fracos nos Estados Unidos, reforçando a leitura de que a alta recente está menos ligada às manchetes do dia e mais ao posicionamento dos investidores.
Segundo Paulo Aragão, o comportamento do mercado sugere uma fase de acumulação. “O cenário indica que ordens de compra continuam aparecendo nesses níveis, o que caracteriza um movimento claro de acumulação”, afirma.
Investidores antecipam eventos relevantes
Na avaliação do economista, grandes investidores podem estar se posicionando de forma antecipada diante de dois gatilhos importantes no radar do mercado cripto. “Há uma expectativa relevante em torno da votação no Senado americano sobre a estrutura regulatória do mercado cripto e também do anúncio do novo presidente do Federal Reserve”, diz Aragão.
Esses eventos, segundo ele, ajudam a explicar por que o Bitcoin segue resiliente mesmo em um ambiente macroeconômico menos favorável no curto prazo.
Níveis de risco e resistência
Do ponto de vista técnico, Aragão destaca dois pontos principais de atenção. “Na parte de baixo, a região dos US$ 89 mil segue como o nível mais importante caso o mercado perca força”, afirma. Uma quebra desse patamar poderia abrir espaço para uma correção mais ampla.
Por outro lado, o analista vê zonas relevantes acima do preço atual. “Existe uma área de forte interesse entre US$ 99 mil e US$ 101 mil“, avalia.
A sustentação acima de US$ 93.800 é apontada como determinante no curto prazo. De acordo com Aragão, esse patamar funciona como suporte relevante para uma possível retomada do movimento de alta. A perda do nível, por outro lado, pode levar o mercado a buscar suportes mais baixos antes de uma definição clara de tendência.
Fundamentos ainda favoráveis
Mesmo diante dos riscos imediatos, a leitura estrutural segue construtiva. De acordo com o economista, indicadores on-chain indicam que o Bitcoin permanece abaixo de zonas historicamente esticadas, o que abre espaço para ganhos adicionais da ordem de 20%.
Outro ponto destacado é a atividade da rede. “A atividade on-chain continua forte, o que sinaliza que a demanda estrutural pelo Bitcoin permanece presente”, diz Aragão.
Equilíbrio delicado no curto prazo
Em resumo, o mercado atravessa um momento de equilíbrio sensível. “Há sinais claros de acumulação e força de fundo, mas a confirmação de uma nova perna de alta depende da capacidade do Bitcoin de sustentar os níveis atuais nos próximos dias”, conclui o analista.