(Foto: reprodução)
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A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apresentou, nesta quarta-feira (21), acusações formais contra 31 pessoas no processo administrativo que investiga o rombo contábil da Americanas. A autarquia atribuiu ao ex-presidente da companhia, Miguel Gutierrez, o papel de principal articulador do esquema de fraude.

Segundo a acusação, a irregularidade contou com participação direta da alta administração. O documento aponta ocultação intencional de informações relevantes e o uso de práticas para induzir investidores, credores e até a auditoria independente a erro. Para a CVM, não se tratou de desvios pontuais, mas de um modelo estruturado e coordenado no topo da empresa.

A autarquia classificou o episódio como a maior fraude já registrada no mercado de capitais brasileiro, considerando o montante envolvido, a duração do esquema e o impacto sistêmico sobre o sistema financeiro. Gutierrez responde a seis acusações, que incluem divulgação de dados contábeis falsos, ocultação de fatos relevantes e fraude contra a auditoria.

De acordo com a CVM, a companhia manteve um sistema financeiro paralelo para esconder dívidas bilionárias e inflar resultados, o que levou investidores a decisões baseadas em informações distorcidas. A prática, segundo o órgão regulador, operou por anos com ciência e aval da cúpula da empresa.

O caso veio a público em janeiro de 2023, quando a Americanas revelou inconsistências contábeis que somavam cerca de R$ 20 bilhões e, posteriormente, superaram R$ 40 bilhões. A descoberta levou ao pedido de recuperação judicial, causou prejuízos expressivos a bancos e investidores e provocou forte queda no valor de mercado da varejista.

Com informações do Valor Investe.