Veja o resumo da noticia

  • Mercados europeus fecham em baixa influenciados por balanços corporativos, sinais econômicos mistos e queda de commodities, gerando aversão ao risco.
  • Decisões de manutenção das taxas de juros pelo BCE e Banco da Inglaterra contribuem para cautela, com investidores atentos a próximos passos.
  • Setor financeiro pressionado por resultados de bancos como Santander e BBVA, enquanto BNP Paribas contraria tendência com elevação de metas.
  • Liquidação de commodities impacta negativamente ações de energia (Shell) e mineradoras (Fresnillo, Antofagasta, Anglo American) em Londres.
  • Setor de saúde afetado pela queda da Novo Nordisk devido à concorrência nos EUA; Rheinmetall recua com projeções preliminares mais fracas.
  • Indicadores econômicos apresentam sinais mistos, com encomendas à indústria alemã superando expectativas e vendas no varejo da zona do euro em queda.
Foto: Freepik
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As bolsas da Europa encerraram esta quinta-feira (5) no vermelho. O mercado adotou um tom mais defensivo diante de um pacote de fatores. Entraram na conta a temporada de balanços corporativos de bancos, sinais mistos da economia e o impacto da liquidação de commodities sobre ações ligadas a energia e mineração.

Além disso, investidores reagiram à decisão do Banco Central Europeu (BCE) de manter os juros pela quinta reunião seguida. No Reino Unido, o Banco da Inglaterra (BoE) também manteve a política, enquanto o presidente da instituição, Andrew Bailey, afirmou que o processo de desinflação está “no caminho certo”.

Como fecharam os principais índices

  • Londres (FTSE 100): -0,90%, aos 10.309,22 pontos
  • Frankfurt (DAX): -0,63%, aos 24.448,58 pontos
  • Paris (CAC 40): -0,29%, aos 8.238,17 pontos
  • Milão (FTSE MIB): -1,75%, aos 45.819,57 pontos
  • Madri (Ibex 35): -1,90%, aos 17.758,30 pontos
  • Lisboa (PSI 20): -1,16%, aos 8.779,01 pontos

Cotações preliminares.

Bancos puxam a aversão ao risco

O setor financeiro concentrou parte do mau humor. Em Madri, o Santander caiu 2% e ampliou perdas após anunciar a compra do Webster Financial. A operação tirou brilho de números acima do esperado.

O BBVA recuou 7,9% depois de frustrar a expectativa de lucro no quarto trimestre. Na mesma direção, outros grandes bancos europeus também cederam. Com isso, o subíndice do setor dentro do Stoxx 600 recuou 3,3%.

Na contramão, o BNP Paribas avançou 1,5% em Paris. A alta veio após o banco elevar metas de médio prazo, ajudando a reduzir a pressão no índice francês.

Commodities derrubam energia e mineração

A liquidação de commodities pesou nos papéis mais sensíveis ao ciclo. Pois, em Londres, a Shell caiu 3,5% após reportar lucro trimestral abaixo do consenso, em um ambiente de queda do petróleo.

Entre mineradoras, o dia também foi de correção. Fresnillo, Antofagasta e Anglo American recuaram em torno de 5,9%, 3% e 3%. Então, o movimento acompanhou o enfraquecimento de metais básicos e preciosos, que ampliou o ajuste setorial.

Saúde e defesa também entram no movimento

No setor de saúde, a Novo Nordisk caiu 7,8% em Copenhague. Portanto, o mercado reagiu ao risco de concorrência maior nos EUA, após a Hims & Hers anunciar oferta de versão manipulada do comprimido do Wegovy a preço inferior.

Já no segmento de defesa, a Rheinmetall cedeu cerca de 6,6% em Frankfurt. Por enquanto, a empresa sinalizou projeções preliminares mais fracas para 2026, em um cenário de menor prêmio geopolítico.

Macro: sinais mistos sustentam o tom cauteloso

No quadro econômico, a leitura foi dividida. As encomendas à indústria alemã vieram acima do esperado, sugerindo algum fôlego na demanda. Ainda assim, as vendas no varejo da zona do euro recuaram mais do que o mercado projetava, o que reforçou a sensação de desaceleração irregular.

Com BCE e BoE mantendo os juros, o investidor ganhou previsibilidade no curto prazo. Ao mesmo tempo, o recado de cautela permaneceu. Então, para o mercado, o ponto agora é entender se a combinação de balanços, atividade e inflação abre espaço para cortes mais adiante, ou se a política seguirá “travada” por mais tempo.