
O mercado brasileiro de fundos imobiliários (FIIs) encerrou 2025 com 2,96 milhões de investidores com posição em custódia, segundo dados do boletim de dezembro da B3. O número representa uma alta de 6,4% em relação ao fim de 2024, quando a base somava 2,78 milhões de pessoas.
O avanço reforça a consolidação dos FIIs como um dos principais instrumentos de acesso ao mercado imobiliário para o investidor pessoa física, em um ambiente marcado por juros elevados, busca por renda recorrente e maior diversificação de portfólio.
Liquidez se mantém ao longo do ano e acelera em dezembro
Ao longo de 2025, o volume total negociado em fundos imobiliários atingiu R$ 84,8 bilhões, com um volume financeiro médio diário (ADTV) estável em R$ 339 milhões. No entanto, dezembro mostrou uma mudança relevante de ritmo.
No último mês do ano, o ADTV saltou para R$ 483 milhões, um avanço de 42% em relação à média anual, impulsionado por 9,3 milhões de negócios realizados no período. O movimento indica retomada do interesse e maior giro dos papéis no encerramento do ano.
Pessoa física domina custódia, mas negociação é mais equilibrada
A estrutura de custódia dos FIIs segue fortemente concentrada no investidor individual. Em dezembro, a pessoa física detinha 72,9% do estoque total, enquanto os investidores institucionais respondiam por 21,2% e os não residentes por 4,5%.
No entanto, quando o recorte é o volume negociado, o cenário se mostra mais equilibrado. No mês, pessoas físicas responderam por 42,1% das transações, seguidas por investidores institucionais (35,8%) e estrangeiros (19,3%). O dado sinaliza um mercado mais maduro, com maior diversidade de perfis atuando ativamente.
IFIX avança 21% e reforça atratividade dos FIIs
Em termos de desempenho, o IFIX, principal índice de fundos imobiliários da bolsa, subiu 1,3% em dezembro e acumulou valorização de 21,1% em 2025. Já o IMOB, índice que reúne ações ligadas ao setor imobiliário, teve desempenho ainda mais forte, com alta de 74,6% no ano.
Além disso, o resultado reflete a combinação entre renda recorrente, melhora operacional de portfólios imobiliários e expectativa de normalização gradual do cenário macroeconômico em 2026.
FIIs mais negociados concentraram liquidez
Entre os fundos mais negociados de dezembro, o CPLG11 liderou o ranking, com ADTV de R$ 25,6 milhões, o equivalente a 5,3% do volume mensal. Na sequência apareceram BTLG11 (R$ 21,4 milhões) e TRXF11 (R$ 20,9 milhões).
O Top 10 concentrou parcela relevante da liquidez do mercado, evidenciando a preferência dos investidores por fundos com maior escala, histórico de gestão consolidado e boa previsibilidade de rendimentos.
Estoque de FIIs se aproxima de R$ 200 bilhões
Segundo a B3, o estoque total de FIIs atingiu R$ 194 bilhões em dezembro de 2025. Para Bianca Maria, gerente de Produtos da bolsa, o número reflete a popularização do segmento.
Ela destaca que os FIIs permitem investir no mercado imobiliário “sem a necessidade de grandes aportes iniciais, com governança, transparência e infraestrutura”, fatores que ajudam a explicar o crescimento consistente da base de investidores.
Leitura de mercado
Os dados mostram que, mesmo em um cenário de juros elevados, os fundos imobiliários seguem relevantes na estratégia de diversificação do investidor brasileiro. A combinação de renda mensal, liquidez crescente e governança estruturada mantém o segmento atrativo.
Com a perspectiva de maior estabilidade macroeconômica e eventual flexibilização monetária nos próximos trimestres, o mercado de FIIs entra em 2026 com uma base maior, mais líquida e mais diversificada, um sinal claro de maturidade do setor.