Haddad diz que Fazenda estuda fim dos JCP

"É uma das medidas que está sendo elaborada pela Fazenda", revelou Haddad

Haddad diz que Fazenda estuda fim dos JCP
Haddad diz que Fazenda estuda fim dos JCP / Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), confirmou nesta segunda-feira (24) que o governo estuda acabar com os JCP (juros sobre capital próprio) no ano que vem. Segundo o petista, a medida está inserida no objetivo do governo de tentar elevar a arrecadação para zerar o déficit das contas públicas em 2024, algo previsto no novo arcabouço fiscal.

“É uma das medidas que está sendo elaborada pela Fazenda”, revelou Haddad a jornalistas na porta do Palácio do Planalto, onde participou de uma reunião com o vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB).

Em abril deste ano, o “Estadão” havia informado que Haddad pediu à sua equipe alguns estudos sobre o JCP, mecanismo que as empresas utilizam para distribuir lucros a seus acionistas. “Tem empresas que não têm mais lucro e, portanto, não pagam imposto de renda. O que elas fizeram? Transformaram o lucro artificialmente em Juro sobre Capital Próprio”, disse Haddad na época.

Haddad terá vida dificultada por empresários e agentes, diz colunista

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não terá vida fácil no segundo semestre deste ano, um grupo de agentes e empresários está se movimentando contra as propostas de taxação dos fundos offshore, proposta pelo ministro, segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”.

Na semana passada, Haddad iniciou as discussões sobre a reforma do Imposto de Renda e anunciou a intenção de enviar uma proposta para tributar os fundos exclusivos, também conhecidos como “super-ricos”, no Orçamento de 2024. A ideia em avaliação no governo prevê que a cobrança de Imposto de Renda sobre esses fundos passe a ser periódica, por meio do chamado come-cotas.

O ministro, no entanto, parece estar preparado. Em entrevista à Folha de S. Paulo, ele disse que a segunda etapa da reforma tributária irá enfrentar resistência de setores que, hoje, o apoiam. “Como um país com tanta desigualdade isenta de imposto de renda o 1% mais rico da população?”, indagou.

Haddad revelou que, diante do desafio de zerar o déficit público em 2024, o governo vai agir visando “corrigir distorções absurdas do sistema tributário” para atingir a meta.