Ibovespa
Ibovespa / Foto: Pexels

O mercado financeiro brasileiro começa esta segunda-feira (19) em clima de cautela, com os investidores equilibrando dados econômicos, tensões geopolíticas e uma agenda política relevante.

O Ibovespa abriu, preliminarmente, com alta de 0,01%, aos 164.812,27 pontos. Enquanto o dólar comercial virou para queda de 0,13%, cotado a R$ 5,3654.

Relatório Focus ajusta inflação e juros

No cenário doméstico, o Relatório Focus trouxe novos sinais para o mercado. As projeções para a inflação em 2026 recuaram pela segunda semana consecutiva, indicando um leve alívio no horizonte de preços.

Por outro lado, as expectativas para a taxa Selic em 2028 subiram, reforçando a leitura de juros elevados por mais tempo, em meio às incertezas fiscais e ao cenário monetário mais restritivo.

Haddad fala ao mercado em momento sensível

Os investidores acompanham com atenção a entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, marcada para as 11h, ao vivo no Canal UOL.

Além disso, a fala ocorre em um momento delicado, com discussões sobre política fiscal, desdobramentos da liquidação do Banco Master e especulações sobre o futuro do ministro no comando da pasta econômica.

FMI reduz projeção para o Brasil em 2026

No exterior, o Fundo Monetário Internacional (FMI) adicionou um vetor de cautela ao reduzir a projeção de crescimento do Brasil em 2026, citando os efeitos de uma política monetária ainda apertada.

Ao mesmo tempo, o órgão promoveu ajustes positivos marginais para as estimativas de 2025 e 2027, suavizando parcialmente o impacto da revisão.

Tarifas de Trump elevam tensão global

A geopolítica volta ao centro do radar. O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou impor novas tarifas a produtos europeus caso Washington não seja autorizado a comprar a Groenlândia.

A reação foi imediata. Pois, países da União Europeia classificaram a medida como chantagem e passaram a discutir retaliações econômicas, com a França defendendo instrumentos inéditos.

Mercados globais operam em modo defensivo

Com o aumento das tensões comerciais, bolsas globais e o dólar recuam, enquanto ativos de proteção ganham espaço. Ouro e prata renovam máximas históricas, refletindo a busca por segurança.

Já o petróleo cai, pressionado pelo temor de que uma nova guerra comercial afete o crescimento econômico global e a demanda por energia.

Em Wall Street, os futuros indicam queda firme:

  • Dow Jones Futuro: -0,89%
  • S&P 500 Futuro: -1,14%
  • Nasdaq Futuro: -1,58%

China cresce, mas dados seguem mistos

Na Ásia, o PIB da China cresceu 4,5%, ligeiramente acima das expectativas do mercado. Ainda assim, dados fracos de vendas no varejo em dezembro reforçaram dúvidas sobre a força da demanda interna.

Radar corporativo

No radar corporativo, o dia é movimentado:

  • Cosan (CSAN3) anunciou resgates antecipados de debêntures e bonds.
  • Eztec (EZTC3) reportou forte avanço de lançamentos e vendas no quarto trimestre.
  • Cogna (COGN3) concluiu seu programa de recompra de ações.
  • Totvs (TOTS3) elegeu Gustavo Mendes como novo vice-presidente de Negócios.
  • Banco Inter (INBR32) recebeu aval regulatório para abrir agência internacional na Flórida.
  • Marfrig (MBRF3) informou redução de participação direta do BTG Pactual.

Com esse pano de fundo, o pregão tende a ser marcado por volatilidade, sensibilidade a manchetes e atenção redobrada ao noticiário político e internacional.