
O Ibovespa inicia o pregão desta segunda-feira (5) em ritmo instável, refletindo a cautela dos investidores diante dos desdobramentos geopolíticos da ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela e da captura do presidente Nicolás Maduro. A reação contida do mercado de petróleo limita movimentos mais bruscos, mas o ambiente segue marcado por busca seletiva por proteção.
O principal índice da B3 chegou a abrir com leve alta de 0,01%, aos 160.558 pontos, mas perdeu fôlego ao longo da manhã. Por volta das 10h30 (horário de Brasília), o Ibovespa recuava 0,12%, aos 160.439 pontos, em meio à piora marginal do humor externo.
Dólar e cenário externo
No câmbio, o dólar avança 0,48%, negociado a R$ 5,45, acompanhando o movimento global de valorização da moeda norte-americana frente a divisas de países emergentes. O fluxo reflete maior percepção de risco na América Latina, embora o impacto direto da crise venezuelana sobre commodities siga limitado no início da semana.
Apesar da invasão americana e da deposição do regime em Caracas, os preços do petróleo operam próximos da estabilidade, com leve alta nesta manhã. O mercado avalia que os efeitos da operação tendem a ser moderados no curto prazo. No médio e longo prazos, porém, a perspectiva de aumento da oferta global, com produção elevada da Opep+ e avanços diplomáticos entre Rússia e Ucrânia , segue como fator estrutural de pressão sobre a commodity.
No cenário doméstico, os ativos brasileiros tendem a seguir o tom do exterior. Juros e câmbio, que mostraram alguma recuperação no primeiro pregão do ano, podem sofrer novos ajustes caso persista a deterioração da percepção de risco regional. O viés de alta do dólar no mercado internacional, nesse contexto, pode pressionar o real e influenciar a curva de juros.
Na agenda, o dia está esvaziado de indicadores relevantes no Brasil. No exterior, o destaque é o ISM industrial dos EUA de dezembro, divulgado às 12h, que pode sinalizar o ritmo da atividade e influenciar o humor dos mercados.