
O Ibovespa opera sem força nesta quinta-feira (8), girando em torno dos 162 mil pontos, em um pregão marcado por baixa convicção dos investidores, refletindo um ambiente externo mais cauteloso e uma agenda carregada de eventos econômicos e geopolíticos.
Nos primeiros negócios, o índice recuava 0,01%, aos 161.966 pontos, enquanto o mercado ajustava posições à espera de dados relevantes da economia dos EUA.
O dólar comercial oscila próximo de R$ 5,38, em um ambiente de cautela, com investidores evitando posições mais direcionais antes da divulgação de indicadores-chave do mercado de trabalho norte-americano.
Mercados domésticos
O desempenho dos ativos é misto. As ações dos grandes bancos apresentam alta moderada, enquanto os papéis da Petrobras (PETR4) avançam acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional. Em contrapartida, Vale (VALE3) recua mais de 1%, pressionada pela queda do minério de ferro, que fechou em baixa na bolsa de Dalian, na China.
Mercados globais reagem a tensões geopolíticas
O cenário internacional segue no centro das atenções. A captura de dois petroleiros ligados à Venezuela no Atlântico reforçou a percepção de escalada geopolítica, movimento que coincidiu com a confirmação de que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, deve se reunir com líderes da Dinamarca para discutir a situação da Groenlândia na próxima semana.
Na Europa, as bolsas operam em baixa diante do aumento das incertezas após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a ameaçar a anexação da Groenlândia, território autônomo dinamarquês. O movimento elevou o nível de aversão ao risco nos mercados globais.
Dados dos EUA e juros do FED no radar
Nos Estados Unidos, indicadores econômicos divulgados recentemente mostraram sinais mistos. O mercado de trabalho segue resiliente, mas com menor dinamismo, enquanto o setor de serviços apresentou aceleração inesperada em dezembro.
Agora, os investidores aguardam com expectativa os pedidos semanais de auxílio-desemprego, que serão divulgados nesta quinta-feira, e o relatório de empregos fora do setor agrícola (payroll), previsto para sexta-feira. Os números podem influenciar diretamente as apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve em relação à trajetória dos juros.
Em Wall Street, os índices futuros operam em queda. O Dow Jones Futuro recuava 0,34%, o S&P 500 Futuro cedia 0,17% e o Nasdaq Futuro apresentava baixa de 0,22%, refletindo cautela em uma sessão com poucos catalisadores positivos.
Dólar e juros no Brasil
O dólar à vista apresentava leve alta frente ao real no início da manhã, subindo 0,07%, a R$ 5,3906, enquanto o mercado acompanhava o leilão de 50 mil contratos de swap cambial promovido pelo Banco Central, com foco na rolagem do vencimento de fevereiro.
No mercado de juros, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) operavam em alta. O DI para janeiro de 2027 subia para 13,690%, enquanto o DI para janeiro de 2031 avançava para 13,365%.
Petróleo sobe e Petrobras entra no radar
Os preços do petróleo voltaram a subir com força, impulsionados pelas tensões envolvendo os Estados Unidos e a Venezuela. O barril do Brent para março avançava 1,43%, a US$ 60,82, enquanto o WTI para fevereiro subia 1,54%, a US$ 56,85.
O movimento pode dar suporte às ações da Petrobras (PETR4). No entanto, investidores também monitoram o vazamento de fluido biodegradável registrado durante a perfuração de um poço da estatal na bacia da Foz do Amazonas. O Ministério Público Federal (MPF) do Amapá solicitou esclarecimentos urgentes ao Ibama e à companhia sobre o ocorrido.
Produção industrial e cenário político
Entre os dados locais, a produção industrial brasileira mostrou estabilidade em novembro na comparação com outubro. No acumulado de 12 meses, o setor registrou crescimento de 0,7%, sinalizando um ritmo ainda moderado da atividade econômica.
No campo político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de uma cerimônia em defesa da democracia, em alusão aos ataques às sedes dos Três Poderes ocorridos em 8 de janeiro de 2023.
O Banco Master também segue no radar após declarações do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, de que uma eventual reversão da liquidação da instituição não caberia à Corte, mas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Destaques corporativos do dia
- Petrobras (PETR4): MPF solicita esclarecimentos sobre vazamento de fluido biodegradável na Foz do Amazonas.
- Dexco (DXCO3): Conselho aprova acordo para aporte de cerca de R$ 200 milhões na Jatobá Florestal.
- Suzano (SUZB3): Companhia fecha fábrica em Suzano (SP) e demite cerca de 90 funcionários, em meio à queda da demanda por papéis de imprimir.