O Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, fechou a sessão desta sexta-feira (4) com baixa de 2,96%, aos 127.256,00 pontos. O dólar comercial subiu 3,68%, a R$ 5,83, a maior alta diária desde 10 de novembro de 2022, quando subiu 4,10%.
Seguindo o compasso das fortes quedas nos mercados globais, o Ibovespa operou com uma desvalorização expressiva, devido à guerra comercial instaurada entre a China e os EUA. O índice brasileiro perdeu quase 4 mil pontos.
O Gráfico DXY, índice do dólar nos EUA, fechou com alta de 0,86%, US$ 102,95.
A China informou nesta sexta-feira a imposição de tarifas recíprocas de 34% sobre todas as importações dos EUA, com validade a partir de 10 de abril, em um contra-ataque à taxação do mesmo nível imposta pelo presidente Donald Trump nesta semana.
“Essa prática dos EUA não está de acordo com as regras do comércio internacional, prejudica seriamente os direitos e interesses legítimos da China e é uma prática típica de intimidação unilateral”, declarou a Comissão de Tarifas do Conselho de Estado da China, em comunicado.
Isto intensificou a guerra comercial entre os países e lançou mais pressão sobre as incertezas com o futuro da economia global, afastando a tendência a apostar em ativos de risco no momento.
“Apesar da percepção de que, no meio da guerra comercial, o Brasil pode se beneficiar, a realidade mostra que é difícil eleger vencedores em um cenário onde todos perdem. Por mais que o Brasil tenha sido taxado no menor nível e possamos ganhar mercado em alguns produtos, a escalada tarifária trará queda na atividade econômica global”, disse Alexsandro Nishimura, diretor da Nomos.
Enquanto isso, Paula Zogbi, gerente de Research da Nomad, sinalizou que o cenário cada vez mais aponta para uma desaceleração e uma possível recessão nos EUA, o que causará um impacto global.
“Commodities, por exemplo, devem ser fortemente afetadas se o ambiente for de queda na atividade de forma generalizada – o que faz preço diretamente no Brasil”, afirmou.
“Globalmente, o Nasdaq entrou oficialmente em bear market, com queda de 20% em relação ao último pico, e os yields dos treasuries de 10 anos caem para menos de 4%, precificando a necessidade de cortes de juros pelo Fed para estimular a atividade, ou, em outras palavras, mais um sinal de desaceleração da atividade”, prosseguiu a analistas.
Além da guerra comercial, o Ibovespa e os índices globais também tiveram no radar os resultados do payroll dos EUA, com números que vieram muito acima do esperado. Em março, foram criados 228 mil novos postos de trabalho, dos esperados 135 mil.
Na avaliação de Paula Zogbi, os dados acabaram sendo positivos, visto que o presidente do Fed (Federal Reserve), Jerome Powell, fez um discurso nesta sexta-feira onde alertou para as incertezas com o cenário econômico, o alto risco de elevação da inflação no país norte-americano, também com uma possibilidade de desemprego no futuro.
“Acredito que o payroll reforça que a economia dos EUA ainda tem fôlego, mas não elimina o receio de que a guerra comercial afete esse ritmo adiante. O mercado parece estar mais focado no cenário externo tenso e nas incertezas sobre o que o Federal Reserve fará com os juros”, afirmou Christian Iarussi, especialista em investimentos e sócio da The Hill Capital.
Nesse ambiente, as commodities foram alguns dos ativos que mais sofreram no Ibovespa e no exterior. Os preços internacionais do petróleo fecharam com uma nova queda forte superior a 7% no caso do WTI, e de 6% para o Brent.
Com isso, as ações das petrolíferas – Petrobras, Prio, Brava Energia, Petroreconcavo – e também das mineradoras – Vale, Gerdau, Usiminas, CSN, CSN Mineração – operaram com tombos superiores aos 3%.
“Hoje as maiores altas foram puxadas pelo Carrefour, beneficiado pelo aumento no valor da troca de ações em seu processo de deslistagem. Minerva e SLC Agrícola também subiram, com o setor frigorífico ganhando competitividade após a retaliação chinesa às tarifas dos EUA, o que favorece a carne brasileira. Já a SLC tende a ser menos afetada no curto prazo pela guerra comercial por conta de seu perfil exportador”, explicou Iarussi.
O Ibovespa teve apenas dois avanços, com a Carrefour (CRFB3) e Minerva (BEEF3) registraram altas de 10,77% e 0,15%, respectivamente.
Já na ponta negativa, Brava Energia (BRAV3) liderou as perdas, caindo 12,912%. Em seguida, vieram Vamos (VAMO3) e PetroReconcavo (RECV3), com perdas de 9,92% e 8,60%.
Altas e Baixas do Ibovespa: Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4)
No setor petrolífero, as ações da Petrobras (PETR3;PETR4) recuaram 4,19% e 4,03%, respectivamente. Prio (PRIO3) desvalorizou 7,96%.
Entre as mineradoras e siderúrgicas, a Vale (VALE3) caiu 3,99%. Gerdau (GGBR4) registrou baixa de 4,84%. Usiminas (USIM5) desvalorizou 7,12%.
No setor bancário, Itaú (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3) operaram com baixas de 2,60% e 1,86%, respectivamente. Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11) seguiram com desvalorização 0,71% e 3,31%, em sequência.
Entre as varejistas, Magazine Luiza (MGLU3) caiu 8,22%. As ações das Lojas Americanas (AMER3) recuaram 6,42%. Casas Bahia (BHIA3) desvalorizou 3,47%.
Índices do exterior fecharam em baixa
Os principais índices europeus tiveram desempenhos negativos nesta sexta-feira (4). O índice DAX, de Frankfurt, desvalorizou 5,01%, enquanto o CAC 40, de Paris, recuouu 4,26%. Já o índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 5,01%.
Em Wall Street, os índices S&P 500 e Nasdaq recuaram 5,98% e 5,82%, respectivamente. Já o Dow Jones caiu 5,50%.