Exterior em queda

Ibovespa fecha com leve baixa ao digerir tarifaço de Trump; dólar cai

O Ibovespa fechou a sessão desta quinta-feira (03) com baixa de 0,04%, aos 131.140,65 pontos; o dólar caiu ao menor patamar desdo o início de outubro

Foto: Ibovespa/CanvaPro
Foto: Ibovespa/CanvaPro

O Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, fechou a sessão desta quinta-feira (03) com baixa de 0,04%, aos 131.140,65 pontos. O dólar comercial caiu 1,23%, a R$ 5,62, o menor patamar desdo o início de outubro.

No “day after” ao anúncio das tarifas adicionais aos parceiros comerciais dos EUA pelo presidente Donald Trump, o Ibovespa operou de lado, tentando manter o patamar conquistado nas sessões anteriores. O índice se apoiou no recuo dos juros futuros, com avanço de ações dos bancos tradicionais e das varejistas, para conter perdas mais fortes.

O Gráfico DXY, índice do dólar nos EUA, fechou com queda de 1,55%, a US$ 102,19.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na quarta-feira (2) o novo pacote de tarifas comerciais, batizado de “Dia da Libertação”, que determinou sobretaxas recíprocas a produtos importados de todos os países com barreiras consideradas desproporcionais.

O nível das tarifas varia conforme o país. Para o Brasil, a taxação ficou em 10%, enquanto para o Camboja, por exemplo, elas chegam a até 49%, que estaria cobrando dos EUA tarifas de 97%.

“Na minha visão, a gente está vendo realmente uma guerra comercial se iniciando como nunca foi antes visto com taxas que não são praticadas. E, com isso, os mercados estão muito estremecidos”, avaliou Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos.

“Para falar do Brasil, para nós foi bem menos pior porque, se fosse levar em consideração as premissas matemáticas, talvez o Brasil nem entraria nessa taxação, tirando o aço e o alumínio, que em fevereiro foi colocada a taxação. Porque somos deficitários na relação comercial com os EUA”, prosseguiu.

Como reação à decisão de Trump, o Canadá anunciou novas tarifas de 25% sobre todos os automóveis produzidos nos EUA, assim como o país norte-americano determinou recentemente para os veículos produzidos fora de seu território.

Algumas das preocupações dos especialistas é que as incertezas com essa guerra comercial resultem em uma pressão sobre a inflação dos EUA, o que pode levar o Fed (Federal Reserve) a voltar com o ciclo de aperto monetário.

Em meio às incertezas, o setor de tecnologia de Wall Street derreteu, com as big techs puxando as quedas. Há uma expectativa de que a guerra comercial prejudique essas empresas, visto que a elevação dos juros pode encarecer a moeda e impactar os investimentos bilionários necessários para a continuidade dos negócios.

Além disso, no caso da Apple, por exemplo, se o imposto for repassado integralmente, o preço do aparelho aumentará nos EUA para um patamar próximo do que é praticado no Brasil.

Enquanto isso, os economistas norte-americanos já estão aumentando as apostas para uma possível recessão econômica no país e cortando as previsões para o PIB (Produto Interno Bruto). 

O Goldman Sachs, no início da semana, elevou a probabilidade de uma recessão nos EUA de 20% para 35% e que por isso prevê mais cortes de juros pelo Fed (Federal Reserve), citando as perturbações causadas pelas tarifas.

Aqui no Brasil, Leandro Ormond, analista da Aware Investments, avaliou que a diferenciação tarifária com os EUA pode representar uma vantagem competitiva para o Brasil no comércio internacional, especialmente no segmento de commodities.

“Além disso, o real se valorizou, com o dólar chegando a ficar abaixo de R$ 5,60 na mínima do dia, alcançando seu menor nível desde outubro de 2024. Essa valorização reflete uma percepção de que o Brasil pode estar relativamente bem-posicionado para lidar com as novas dinâmicas do comércio global”, afirmou Ormond.

Já no radar corporativo, o Ibovespa repercutiu também as fortes desvalorizações no setor de commodities, com a Petrobras (PETR3;PETR4) acompanhando o derretimento nos preços do petróleo, que caíram mais de 6%.

No entanto, apesar da reação inicial mais branda do mercado brasileiro, o cenário internacional segue cercado de incertezas. 

A Auren (AURE3) liderou os ganhos do Ibovespa, avançando 7,58%. Logo atrás, Magalu (MGLU3) e ENGIE (EGIE3) registraram altas de 5,45% e 4,74%, respectivamente.

Já na ponta negativa, Brava Energia (BRAV3) liderou as perdas, caindo 7,18%. Em seguida, vieram Prio (PRIO3) e São Martinho (SMTO3), com perdas de 6,95% e 5,79%.

Altas e Baixas do Ibovespa: bancos e varejistas valorizam

No setor petrolífero, as ações da Petrobras (PETR3;PETR4) recuaram 3,53% e 3,23%, respectivamente. Prio (PRIO3) desvalorizou 6,95%.

Entre as mineradoras e siderúrgicas, a Vale (VALE3) caiu 3,62%. Gerdau (GGBR4) registrou baixa de 2,81%. Usiminas (USIM5) desvalorizou 1,03%.

No setor bancário, Itaú (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3) operaram com alta de 1,78% e 0,56%, respectivamente. Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11) seguiram com valorização 1,92% e 1,40%, em sequência.

Entre as varejistas, Magazine Luiza (MGLU3) subiu 5,45%. As ações das Lojas Americanas (AMER3) avançaram 9,23%. Casas Bahia (BHIA3) desvalorizou 18,38%.

Índices do exterior fecharam em baixa

Os principais índices europeus tiveram desempenhos negativos nesta quinta-feira (03). O índice DAX, de Frankfurt, desvalorizou 3,01%, enquanto o CAC 40, de Paris, recuou 3,31%. Já o índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 2,67%. Esta foi a maior queda registrada pelos índices europeus em quase 8 meses.inf

Em Wall Street, os índices S&P 500 e Nasdaq recuaram 4,84% e 5,97%, respectivamente. Já o Dow Jones subiu 3,98%.