
O Ibovespa encerrou esta quarta-feira (21) em forte alta e cravou um novo recorde histórico. O principal índice da Bolsa brasileira subiu 3,42%, aos 171.969,01 pontos, maior patamar de todos os tempos. Consolidando mais um dia de forte apetite ao risco.
O movimento foi sustentado por uma combinação de fluxo estrangeiro intenso, alívio no cenário geopolítico internacional e desempenho expressivo das ações de maior peso no índice.Trump recua, Europa reage e mercado ganha fôlego
Para Cristiano Henrique Luersen, sócio e assessor de investimentos da Wiser Investimentos, o desempenho recente da Bolsa brasileira não é episódico, mas consequência direta do cenário internacional e do ingresso consistente de recursos estrangeiros.
“A Bolsa brasileira tem experimentado uma valorização expressiva desde o final de 2025. Há uma grande dependência dessa alta do fluxo estrangeiro significativo ingressando no país”, afirma Luersen.
Então, segundo ele, as tensões geopolíticas globais vêm acelerando a saída de capital das principais economias desenvolvidas, especialmente Europa e Estados Unidos.
“As questões macroglobais, em especial as geopolíticas, têm promovido uma saída relevante de capital da Europa e dos EUA, distanciando investidores de conflitos e de uma competição comercial cada vez mais exacerbada”, explica.
Trump recua, Europa reage e mercado ganha fôlego
O principal gatilho externo veio dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump afirmou que busca negociações imediatas sobre a Groenlândia e sinalizou que não pretende usar força militar. Além disso, declarou que, diante de um possível acordo, não imporá tarifas à Europa, que entrariam em vigor no dia 1º de fevereiro.
Apesar de o Parlamento Europeu ter suspendido formalmente as discussões comerciais com os EUA em reação às pressões americanas, o tom menos agressivo de Trump foi suficiente para melhorar o humor global e destravar ativos de risco.
O petróleo reagiu em alta, refletindo a redução das tensões geopolíticas, enquanto bolsas e moedas emergentes ganharam força.
Fluxo estrangeiro impulsiona Bolsa brasileira
No pano de fundo do rali, os dados de câmbio reforçaram o movimento. O Banco Central informou que o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$ 1,544 bilhão em janeiro, até o dia 16, puxado principalmente pela via financeira, que acumula entradas líquidas de US$ 2,939 bilhões no período.
Além disso, somente na última sexta-feira (16), o ingresso líquido pelo canal financeiro foi de US$ 1,674 bilhão, evidenciando o forte interesse de investidores estrangeiros, especialmente pela Bolsa brasileira, vista como atrativa no atual cenário global.
Dólar cai forte e fecha a R$ 5,32
O dólar comercial voltou a cair diante do real, em movimento oposto ao observado no exterior. A moeda encerrou o dia com baixa de 1,13%, cotada a R$ 5,320 na venda e R$ 5,319 na compra.
- Mínima: R$ 5,316
- Máxima: R$ 5,373
Pois, no mesmo período, o índice DXY subiu 0,16%, aos 98,80 pontos, reforçando o caráter local do fortalecimento do real, sustentado pelo fluxo para o Brasil.
Essa atração de capital estrangeiro, ao trazer mais dólares para o país, pressiona a cotação do dólar para baixo e gera um efeito secundário importante de redução inflacionária, especialmente em uma economia baseada em commodities”, explica Cristiano.
Bancos e blue chips lideram as altas
As ações de maior peso no Ibovespa puxaram o recorde:
- Itaú Unibanco (ITUB4): +4,53%
- Banco do Brasil (BBAS3): +4,32%
- Bradesco (BBDC4): +2,82%
- Santander (SANB11): +2,27%
Entre outros destaques do dia:
- B3 (B3SA3): +6,00%, na máxima do dia
- Hapvida (HAPV3): +5,37%, também renovando máxima intradiária
- Vale (VALE3) foi a ação mais negociada do pregão, com volume caminhando para o maior nível em mais de um ano
Wall Street
No cenário internacional, o humor em Wall Street melhorou de forma consistente após declarações de Donald Trump no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. A sinalização reduziu o prêmio de risco geopolítico e destravou o apetite por ativos de risco. Uma escalada real da disputa com a Europa teria provocado uma correção bem mais intensa.
Os mercados seguem reagindo aos movimentos ditados pelo presidente dos EUA. Pois, em Nova York, os principais índices encerraram o dia em alta:
- Dow Jones: +1,23%, aos 49.086,22 pontos
- S&P 500: +1,16%, aos 6.875,62 pontos
- Nasdaq: +1,18%, aos 23.224,82 pontos