
O dia foi de recorde para o Ibovespa que, pela primeira vez, atingiu região dos 166 mil pontos, renovando máxima histórica, com o pregão desta quinta-feira (15) marcado por dados fortes do varejo brasileiro, queda do dólar e movimento de alta nos juros futuros.
O Ibovespa perdeu folego após o recorde porém ainda assim, fechou em alta de 0,16% a 165.415,30 pontos.
Apesar do recorde, o desempenho do índice não foi homogêneo. Além disso, a sessão combinou ganhos relevantes em ações ligadas ao consumo com quedas expressivas em papéis de commodities e empresas específicas, refletindo um cenário de seletividade crescente por parte dos investidores.
Dados do varejo impulsionam o índice
O principal gatilho para o bom desempenho do Ibovespa veio logo na abertura do pregão, após o IBGE informar que as vendas no varejo cresceram 1,0% em novembro ante outubro e 1,3% na comparação anual, resultados acima das expectativas do mercado.
Segundo Andressa Bergamo, especialista em investimentos e sócia-fundadora da AVG Capital, os números reforçam a leitura de uma economia ainda aquecida:
“O mercado se animou com os dados de varejo. O crescimento de 1% em novembro veio bem acima das expectativas e mostra que a economia segue forte, mesmo com juros elevados. A Black Friday teve papel importante, impulsionando segmentos como móveis, eletrodomésticos, artigos pessoais e farmacêuticos”, afirma.
Na esteira desse movimento, ações de consumo e varejo ganharam destaque, como Magazine Luiza (MGLU3), Natura (NATU3) e Yduqs (YDUQ3).
Vale oscila, Petrobras recua e bancos operam mistos
Entre os pesos-pesados do índice, o dia foi de comportamento divergente. Vale (VALE3) oscilou perto da estabilidade, enquanto Petrobras (PETR4) recuou, acompanhando a queda dos preços do petróleo no mercado internacional, após sinais de redução das tensões entre Estados Unidos e Irã.
Os grandes bancos tiveram desempenho misto, sem direção única, o que limitou um avanço ainda mais expressivo do Ibovespa no fechamento.
Smartfit desaba e CSN amplia perdas
No campo negativo, o principal destaque foi a Smartfit (SMFT3), que despencou cerca de 8%. Além disso, o movimento veio após executivos da companhia indicarem dificuldades para expandir margens em 2026, o que acendeu alertas entre investidores.
As ações da CSN também registraram forte queda. O mercado reagiu mal ao anúncio de um plano de venda de ativos para redução do endividamento, incluindo então a possibilidade de alienação do controle da CSN Cimentos e de uma participação na CSN Infraestrutura.
Já a Azul (AZUL53) voltou a cair com força, refletindo os efeitos da conversão de ações preferenciais em ordinárias e a mudança definitiva do ticker.
Destaque positivo: Movida
Entre as altas, a Movida se destacou após divulgar uma prévia operacional positiva, com lucro de R$ 102 milhões no 4T25, animando investidores. MOV3 fechou com a maior alta do dia de 11,97% a R$ 10,57.
Dólar cai e fecha a R$ 5,36
No câmbio, o dólar comercial caiu 0,62%, encerrando o dia a R$ 5,36, após três sessões consecutivas de alta. O movimento ocorreu apesar da valorização global da moeda americana, medida pelo índice DXY, que subiu 0,19%.
- Venda: R$ 5,368
- Compra: R$ 5,367
O tom mais ameno do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação ao Irã também contribuiu para o alívio no dólar e nos ativos de proteção, como o ouro.
EUA
Os principais índices de Wall Street encerraram o pregão desta quinta-feira em alta, refletindo um ambiente mais favorável ao risco. Os investidores reagiram positivamente à sequência de balanços do quarto trimestre de 2025, com destaque para os resultados de Morgan Stanley e Taiwan Semiconductor, que impulsionaram o humor do mercado. Além disso, ajudou a reduzir as tensões a sinalização do presidente dos EUA, Donald Trump, de que não pretende demitir o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afastando temores sobre a autonomia do banco central.
Dow Jones subiu 0,60%, aos 49.442,44 pontos.
S&P 500 avançou 0,26%, aos 6.944,47 pontos.
Nasdaq teve alta de 0,25%, aos 23.530,02 pontos.
Juros futuros sobem por toda a curva
As taxas dos juros futuros (DIs) encerraram o dia em leve alta, pressionadas pelos dados fortes do varejo e pela queda inesperada nos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA, que reduziram apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve no curto prazo.
- DI jan/2028: 13,075% (+3 pb)
- DI jan/2035: 13,58% (+2 pb)
O movimento também contou com o impacto do leilão de títulos prefixados do Tesouro, que costuma gerar operações de hedge no mercado de juros.