
Os ativos domésticos passaram por correção nesta quarta-feira (7), em um pregão marcado por realização de lucros após a máxima histórica do Ibovespa e por cautela dos investidores diante dos dados do mercado de trabalho dos EUA e dos novos desdobramentos do plano americano para a Venezuela.
O Ibovespa, principal índice acionário da B3, fechou em queda de 1,03%, aos 161.975,24 pontos, devolvendo parte dos ganhos acumulados nos dois pregões anteriores. Na véspera, o índice havia encostado no maior nível de fechamento da história.
Durante o dia, o indicador oscilou entre a máxima de 163.660,52 pontos e a mínima de 161.745,83 pontos, com volume financeiro de R$ 25,30 bilhões.
A correção foi puxada principalmente pelas ações de bancos, que recuaram em bloco e pressionaram o índice. Por outro lado, Vale e Petrobras avançaram e ajudaram a limitar uma queda ainda mais intensa do mercado.
Dólar interrompe sequência de quedas
No câmbio, o dólar à vista interrompeu uma sequência de quatro sessões de baixa e registrou leve valorização frente ao real. Ao fim do pregão, a moeda americana subiu 0,12%, cotada a R$ 5,3858, depois de oscilar entre R$ 5,3690 na mínima e R$ 5,4011 na máxima do dia.
Operadores destacaram a ausência de um gatilho específico para a formação de preço, o que levou o mercado a ajustar posições após o recente fortalecimento do real. Ainda assim, economistas veem espaço para nova apreciação da moeda brasileira nos próximos pregões.
O euro comercial teve leve alta de 0,04%, encerrando o dia a R$ 6,2915.
Juros futuros recuam antes do IPCA
Na renda fixa, os juros futuros recuaram moderadamente, com investidores à espera da divulgação do IPCA fechado de 2025, prevista para sexta-feira. O DI janeiro/27 caiu para 13,70%, enquanto o DI janeiro/29 recuou para 12,995%.
Wall Street fecha mista com atenção à geopolítica
Nos Estados Unidos, os principais índices de Nova York encerraram o pregão sem direção única, refletindo preocupações geopolíticas, especialmente ligadas ao petróleo.
- Dow Jones: -0,96%
- S&P 500: -0,34%
- Nasdaq: +0,16%
Segundo Keith Buchanan, gestor sênior da Globalt Investments, em entrevista à CNBC, a falta de reação mais intensa do petróleo indica que o mercado ainda não enxerga risco imediato de escassez. “Há um risco relevante de excesso de oferta, mas o que aconteceu na América do Sul não alterou a perspectiva de crescimento dos EUA do ponto de vista do mercado de ações”, afirmou.
Petróleo cai, mas Brava Energia vira para alta
Mesmo em um dia negativo para o petróleo, as ações da Brava Energia (BRAV3) se destacaram. Após chegarem a cair cerca de 5% pela manhã, os papéis viraram para alta de 2,74%, fechando a R$ 16,13.
No mercado internacional, os contratos de petróleo encerraram em baixa:
- WTI (fevereiro): queda de 2,00%, a US$ 55,99 o barril
- Brent (março): recuo de 1,22%, a US$ 59,96 o barril
Apesar da pressão negativa da commodity, a performance da Brava mostrou sensibilidade a fatores específicos do papel e ajudou a mitigar o pessimismo em parte do mercado.
Clima segue de cautela
Desde a abertura, o Ibovespa manteve viés negativo, refletindo um movimento natural de correção técnica após a forte alta recente. Além disso, o mercado segue atento tanto ao cenário externo, com destaque para a Venezuela, quanto aos dados de inflação no Brasil, que devem orientar as próximas decisões dos investidores.