Veja o resumo da noticia
- Ibovespa tem pregão de duas metades: máxima histórica e queda influenciada por exterior e realização de lucros após a superquarta.
- Copom sinaliza corte na Selic, impulsionando o mercado com apostas em redução de 0,5 ponto percentual na próxima reunião.
- Wall Street impacta negativamente o Brasil, com balanços de big techs e discussões sobre investimentos em inteligência artificial.
- Dólar fecha em queda influenciado pelo enfraquecimento global e recuperação das commodities, após forte oscilação diária.
- Juros futuros apresentam queda consistente, refletindo a leitura construtiva sobre a política monetária brasileira e seus efeitos.
- Setor de commodities amortece perdas do Ibovespa, com Petrobras e Vale subindo devido ao petróleo e minério de ferro.

O mercado financeiro brasileiro viveu nesta quinta-feira (29) um pregão de duas metades bem distintas. Após renovar máxima histórica intradiária, o Ibovespa inverteu o sinal e fechou em queda de 0,75%, aos 183.305,60 pontos, em um movimento de ajuste influenciado pelo exterior e por realização de lucros.
Para José Áureo Viana, planejador financeiro e sócio da Blue3 Investimentos, o comportamento do índice foi coerente com o momento recente do mercado.
“A sessão de hoje foi um bom retrato de digestão pós-superquarta. Pela manhã, o Ibovespa renovou máxima histórica impulsionado por uma reprecificação local”, afirmou.
Copom impulsiona mercado no início do pregão
O dia começou com forte viés positivo. Investidores reagiram à leitura de que o Copom foi mais explícito ao indicar a possibilidade de início do ciclo de cortes da Selic já na próxima reunião.
Então, esse entendimento elevou a aposta em um corte de 0,5 ponto percentual, derrubou os juros futuros ao longo da curva e sustentou a alta da Bolsa nas primeiras horas do pregão.
Segundo José Áureo Viana, esse movimento teve fundamentos claros.
“O recorde intradiário teve muito de reprecificação local, principalmente na curva de juros e no prêmio de risco, com o mercado vendo de forma muito positiva a sinalização do Banco Central”, explicou.
Exterior negativo pesa e muda o humor do pregão
Ao longo da tarde, porém, o cenário doméstico perdeu força. A piora em Wall Street, após balanços de big techs, com destaque para números da Microsoft, e discussões sobre os elevados investimentos em inteligência artificial, contaminou o apetite por risco global.
Os principais índices de Nova York fecharam majoritariamente no vermelho:
- Dow Jones: +0,11%
- S&P 500: -0,20%
- Nasdaq: -0,72%
Esse movimento acabou limitando a sustentação do rali na Bolsa brasileira.
Na avaliação do especialista, esse fator foi decisivo para a virada do Ibovespa.
“A correção teve muito mais a ver com a correlação com o exterior e com o ‘risk-off’ global do que com qualquer deterioração do cenário local”, destacou Viana.
Dólar oscila, mas fecha em queda com apoio das commodities
No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou em queda de 0,22%, a R$ 5,193, após um dia de forte oscilação. A moeda chegou à mínima de R$ 5,166, mas voltou a subir no meio da tarde com a busca por proteção, antes de perder força novamente.
O enfraquecimento global do dólar, medido pelo DXY (-0,19%), e a recuperação dos preços das commodities ajudaram a limitar a pressão cambial.
“No câmbio, a dinâmica foi parecida com a da Bolsa. O dólar cedeu pela manhã, esticou com a piora do exterior e depois acomodou com a recuperação das commodities”, avaliou o planejador financeiro.
Juros futuros caem e reforçam cenário de cortes
A curva de juros futuros apresentou queda consistente em todos os vencimentos, refletindo a leitura mais construtiva sobre a política monetária brasileira.
Para Viana, esse movimento é estrutural e tende a ter efeitos mais duradouros.
“A queda dos juros ajuda a reduzir prêmios e reforça a perspectiva de início do ciclo de cortes. Isso tende a ancorar melhor a parte intermediária e longa da curva”, afirmou.
Commodities seguram perdas do Ibovespa
Mesmo com a queda do índice, o setor de commodities funcionou como um amortecedor. Petrobras subiu acompanhando a alta do petróleo no exterior, enquanto a Vale avançou com o minério de ferro mais firme na China.
A ação VALE3 voltou a liderar o volume financeiro do dia, reforçando o peso do setor no índice.