Ibovespa / BB Investimentos projeta
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O Ibovespa encerrou esta quinta-feira (22) em alta de 2,30%, aos 175.775 pontos (preliminar). Durante o pregão, o índice renovou a máxima histórica intradiária ao alcançar 177.741,56 pontos.

Desde segunda-feira (19), a Bolsa brasileira já acumula uma valorização de aproximadamente 13 mil pontos, em um movimento marcado por apetite ao risco, entrada de capital estrangeiro e alívio no cenário global.

Fluxo estrangeiro sustenta rali da Bolsa

O avanço do mercado foi impulsionado, principalmente, pelo aumento do fluxo de investidores internacionais. Segundo Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, o movimento reflete uma retomada da tomada de risco global.

“O Ibovespa segue apoiado pela entrada de capital estrangeiro, após falas mais brandas de Donald Trump sobre a Groenlândia e a União Europeia, que trouxeram fôlego adicional ao mercado brasileiro”, afirma.

O ambiente externo mais construtivo reduziu a percepção de risco e abriu espaço para compras mais agressivas em mercados emergentes.

Bolsas globais sobem com alívio geopolítico

O bom humor também dominou os mercados internacionais. Em Nova York, os principais índices fecharam em alta, com investidores reagindo positivamente aos dados econômicos e à leitura de que tensões geopolíticas fazem parte de negociações mais amplas.

Dow Jones 0,63 aos 49.384,01 pontos

S&P 500 0,55, aos 6.913,35 pontos

Nasdaq 0,91, aos 23.436,02 pontos

Dólar cai e reforça cenário favorável aos ativos de risco

No Brasil, o dólar comercial caiu 0,67%, encerrando o dia a R$ 5,28, no menor nível desde dezembro. A moeda recuou em linha com o enfraquecimento global do dólar e ajudou a sustentar a valorização dos ativos locais.

Segundo Josias Bento, o movimento também foi influenciado por dados mais fracos da inflação americana. “O PCE veio abaixo do esperado e abriu espaço para queda de juros nos Estados Unidos. Isso respinga forte no Brasil e ajuda a aliviar a curva de juros”, explica.

Juros futuros recuam e impulsionam ações

Com o dólar mais fraco e expectativas de afrouxamento monetário no radar, os juros futuros recuaram ao longo do pregão. O movimento beneficiou especialmente os setores mais sensíveis ao custo de capital.

Os bancos lideraram os ganhos do dia, com BBAS3 (+4,51%), ITUB4 (+3,72%), BBDC4 (+2,68%) e SANB11 (+1,97%). O varejo também apresentou valorização em bloco.

Bancos, Petrobras e educação puxam o índice

Na avaliação do especialista, os bancos seguem como preferência do investidor estrangeiro por combinarem liquidez, previsibilidade e dividendos consistentes.

A Petrobras também chamou atenção, mesmo em um dia de queda do petróleo no mercado internacional. “A companhia está descontada, gera caixa com margens robustas e segue altamente lucrativa. O anúncio de dividendos reforça esse apelo”, afirma Josias.

O setor de educação também figurou entre os destaques, beneficiado pelo recuo dos juros e pela melhora operacional das companhias. “Essas empresas passaram por um período difícil com juros altos, mas agora colhem ganhos de eficiência, preservação de caixa e maior rentabilidade”, acrescenta.

Perspectiva para 2026 segue positiva

Com menor tensão geopolítica, entrada consistente de capital estrangeiro e expectativa de queda dos juros globais, o mercado passou a olhar 2026 com mais otimismo.

“Com o mundo caminhando para juros mais baixos, os ativos de risco tendem a se valorizar. A Bolsa brasileira tem tudo para viver um ano próspero”, conclui Josias Bento.