
O Ibovespa abriu em leve alta, mas rapidamente ganhou tração e renovou a máxima histórica, ao tocar 187.884,15 pontos (+1,05%) no início do pregão desta quarta-feira (11). Na abertura preliminar, o índice subia 0,04%, aos 185.997,32 pontos. Enquanto isso, o dólar comercial recuava 0,21%, negociado a R$ 5,18.
O movimento reforça o “combo” que tem empurrado o mercado: alívio no câmbio, temporada de balanços em pleno andamento e um pregão carregado de gatilhos tanto no Brasil quanto no exterior. Ainda assim, o dia promete volatilidade, e não apenas por causa da nova máxima. O investidor opera com a atenção dividida entre falas do Banco Central, pesquisa eleitoral e, principalmente, o relatório de emprego dos Estados Unidos.
Brasil: Galípolo fala às 9h e pesquisa Quaest sai às 13h
O cenário doméstico tem dois horários que costumam “travarem” a tela.
Às 9h, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, palestra no CEO Conference Brasil 2026, evento do BTG Pactual em São Paulo. Qualquer sinal sobre o rumo da política monetária, e o balanço de riscos entre inflação e atividade, pode mexer com a curva de juros e, por tabela, com bancos, varejo e ações mais sensíveis ao mercado interno.
Mais tarde, às 13h, o investidor volta a ajustar posições com a pesquisa Genial/Quaest para a Presidência. Em dias de pesquisa, o impacto tende a aparecer primeiro no câmbio e nos juros futuros e, em seguida, se espalhar para o Ibovespa.
Balanços e teleconferências
A temporada de resultados também entra como motor do dia, com notícias antes e depois do mercado.
Antes da abertura, a Klabin (KLBN11) reportou lucro líquido de R$ 168 milhões no 4T. No operacional, o Ebitda ajustado somou R$ 1,83 bilhão, com margem de 35%, enquanto a receita líquida atingiu R$ 5,17 bilhões. O dado chama atenção porque combina queda no lucro com um operacional mais resiliente, o que costuma concentrar a discussão em preço, mix e custos.
O Banco Inter (INBR32), por sua vez, informou lucro de R$ 1,3 bilhão no ano passado, número que tende a manter o radar ligado para eficiência, rentabilidade e crescimento do banco digital.
Ao longo desta quarta, Suzano (SUZB3) e TIM (TIMS3) fazem teleconferências de resultados, um ponto importante porque é nessas chamadas que saem detalhes de estratégia e projeções.
E, após o fechamento, vêm os números de peso: Banco do Brasil (BBAS3), Assaí (ASAI3) e TOTVS (TOTS3), além de resultados esperados para Klabin (KLBN11), Banco Inter (INBR32) e Riachuelo (RIAA3) no radar do mercado.
Exterior: payroll às 10h30 pode definir o humor global
Lá fora, o foco principal está no relatório de emprego dos EUA, previsto para 10h30. A expectativa é de criação de 70 mil vagas fora do setor agrícola no mês passado, após 50 mil em dezembro.
O dado ganhou peso extra porque estava marcado para a última sexta-feira, mas foi adiado devido à paralisação do governo. Por isso, o mercado tende a reagir com força: payroll mais forte pode pressionar juros e dólar; payroll mais fraco pode aliviar a curva e sustentar ativos de risco.
Além disso, segue no pano de fundo a discussão sobre possíveis impactos de inteligência artificial em setores e empresas, enquanto indicadores recentes sugerem consumo sem aceleração. O relatório de vendas no varejo de dezembro mostrou gastos estáveis e abaixo do avanço de 0,4% esperado por economistas consultados pela Dow Jones.
Radar corporativo: Petrobras, PetroRecôncavo, Smart Fit, Azul e Sabesp
Fora dos balanços, o noticiário de empresas traz temas relevantes para o pregão:
- Petrobras (PETR4) e PetroRecôncavo (RECV3): dados operacionais no foco
- Smart Fit (SMFT3): anunciou troca de CEO e diretor financeiro
- Azul: disse que atrasar saída do Chapter 11 pode ameaçar negócios
- Sabesp (SBSP3): aprovou emissão de debêntures de R$ 6,292 bilhões