Um cronograma para que os países integrantes comecem cortes na produção de petróleo foi divulgado pela Opep+ nesta quinta-feira (20). O objetivo é compensar o bombeamento acima dos níveis acordados, o que ultrapassará os aumentos mensais de produção que o grupo planeja introduzir no próximo mês.
Uma tabela no site da Opep indica que o plano representará cortes mensais entre 189.000 bpd (barris de óleo por dia) e 435.000 bpd. A intenção é que os cortes programados durem até junho de 2026.
A produção de petróleo já vem sendo cortada em 5,85 milhões de bpd pela Opep, a Rússia e outros aliados que compõem a Opep+. O volume dos equivale a cerca de 5,7% da oferta global, acordada em uma série de medidas desde 2022 para apoiar o mercado, segundo o “Money Times”.
Anteriormente, a Opep+ havia confirmado que oito de seus membros, incluindo Rússia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuweit, Omã, Argélia, Cazaquistão e Iraque, continuariam com um aumento mensal de 138.000 bpd na produção de petróleo a partir de abril, citando fundamentos de mercado mais saudáveis.
Contudo, o excesso recente na produção do Cazaquistão irritou outros membros e foi um dos fatores decisivos para que o grupos prosseguisse com o aumento, disseram fontes disseram, em apuração da “Reuters”.
De acordo com o plano revisado, o Iraque fará a maior parte da contribuição para os cortes de compensação, seguido pelo Cazaquistão e pela Rússia.
Brasil ingressa em ‘instância de diálogo’ na Opep, diz ministro
O CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) aprovou, nesta terça-feira (18), a participação do Brasil na “Carta de Cooperação” entre países produtores de petróleo, um foro consultivo entre membros e não membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). A informação foi divulgada pelo Ministério de Minas e Energia.
De acordo com a pasta, trata-se de uma “instância de diálogo” composta por ministros que atuam na área de energia e petróleo, com previsão de encontros regulares em nível técnico.
A entrada do Brasil no grupo não prevê sua participação em decisões que visem ao corte da produção de petróleo, afirmou a pasta.
“A Carta também não limita ou afeta o direito do Brasil à soberania sobre a exploração e gestão de seus recursos naturais. Nesse contexto, o país poderá continuar desenvolvendo sua política energética de acordo com seus próprios interesses”, disse o comunicado oficial.